Monteriggioni, um passeio pela Idade Média

Cidades Históricas - 17/09/2020
Por Giacomo Cenci
Foto de capa: Lianem

Monteriggioni – o burgo das torres gigantes

A aldeia de Monteriggioni foi construída ao longo do século XIII, como fortificação no topo de uma colina, durante os embates entre Florença e Siena. Sua estrutura essencialmente militar, acastelada e circundada por imensas torres, de tão impressionante, é citada por Dante Alighieri, na Divina Comédia, que compara suas torres com os gigantes que encontraria no Inferno.

“Qual de Monteriggioni a alta barreira circular que de torres se coroa, assim, na orla que à volta do poço beira, torreavam, de sua meia pessoa, os horríveis gigantes, ameaçados por Jeová ainda, do céu, quando trovoa”.

Alighieri, Dante, Inferno, XXXI, 40-45
Vista aérea de Monteriggioni. Foto: Marinari Stefano

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Percorrendo a muralha

Ainda hoje é possível percorrer a pé parte da antiga muralha, por meio de duas passarelas colocadas em trechos diferentes do sistema defensivo do castelo. É uma experiência muito interessante, uma verdadeira volta no tempo: você será capaz de transitar as mesmas construções um dia trilhadas pelos soldados que protegiam o território das invasões dos florentinos, sendo que a aldeia assumiu o papel – entre 1213 e 1554 – de  fortificação da República de Siena mais avançada em relação ao território dominado pela rival Florença.

Além disso, das passarelas é possível observar o castelo de uma posição privilegiada, como também desfrutar de uma vista deslumbrante, que vai desde o Vale do Chianti ao bosque de Montagnola, até as torres de San Gimignano.

Vista panorâmica de Monteriggioni. Foto: Unknown1861/ 123RF
“Mura” de Monteriggioni. Foto: Giacomo Cenci

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Mistérios e fantasmas

A Praça Roma é a praça principal do burgo, dá acesso a todos os pontos possíveis de visitação e oferece ao visitante a verdadeira sensação de estar em uma aldeia fortificada da Baixa Idade Média. No meio da praça há um poço, a respeito de que ao longo dos séculos alimentou-se uma lenda segundo a qual existiria um caminho subterrâneo secreto que liga Monteriggioni a Siena. Esse caminho, no entanto, nunca foi achado.

Praça Roma – Monteriggioni. Foto: Giacomo Cenci

Outra lenda muito impactante é ligada a Giovanni Zeti, o capitão das guardas, que, em 1554, entregou o castelo às tropas florentinas: narra-se que, devido ao arrependimento que tomou conta dele, a sua alma não descansa em paz e o seu fantasma nas noites de lua cheia vaga pela galeria acima citada, sendo que os habitantes da aldeia ouviriam ainda hoje as lamentações e os choros do próprio Zeti, condenado a não ter paz.

Praça Roma – Monteriggioni. Foto: Giacomo Cenci

Na praça de Monteriggioni há também a igreja de Santa Maria Assunta: construída associada ao Castelo, mistura o já em declínio estilo Românico com o, para a época, novo e revolucionário estilo Gótico.

Igreja Santa Maria Assunta – Monteriggioni. Foto: Borisb17/ Bigstock

Um museu interativo

Outra atração importante é o museu “Monteriggioni in Arme”: um percurso didático dividido em quatro salas que repercorre a história militar de Monteriggioni. Cada sala, dedicada a um século diferente entre o XIII e o XVI, exibe reproduções de armas e armaduras medievais e renascentistas, com painéis bilíngues (ítalo-inglês) que explicam a história local e as técnicas de assédio e defesa de um castelo medieval.

Museu “Monteriggioni in Arme”. Foto via Altervista.
Museu “Monteriggioni in Arme”. Foto via Altervista.

As peças expostas foram realizadas utilizando as técnicas antigas, com base no estudo dos elementos originais e das representações da época de soldados e cenas de batalha.

Particularmente apreciada é a possibilidade de manusear as armas e vestir algumas peças das armaduras, o que proporciona ao visitante uma interação direta com a exposição.

Monteriggioni
Museu “Monteriggioni in Arme”. Foto: Giacomo Cenci
Museu “Monteriggioni in Arme”. Foto: Giacomo Cenci

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