A imponente e grandiosa Catedral é o majestoso símbolo e cartão-postal de Milão.  Situada no coração da cidade, ao lado da famosa Galeria Vittorio Emanuele II, o Duomo é uma meta obrigatória para quem visita a capital lombarda. Conheça aqui cinco curiosidades sobre a história da Catedral de Milão para que seu passeio por lá possa ser ainda mais interessante.

1. Uma longa, longa construção

A construção da Catedral começou em 1386 por vontade do bispo de Milão. O projeto inicial previa uma igreja construída com tijolos à vista, como muitas outras na cidade; todavia, apenas um ano depois, o duque Gian Galeazzo Visconti, ambicioso senhor de Milão, assumiu a direção das obras e impôs seu projeto grandioso: uma igreja gótica enorme, completamente em mármore.

Fachada da Catedral de Milão.
Fachada da Catedral de Milão. Foto: Mistervlad / Bigstock

O projeto gigantesco procedia lentamente: tinha-se decidido começar da parte de trás da antiga basílica, que ia gradativamente sendo demolida, para dar lugar ao novo edifício, pouco a pouco. Só que este “pouco” duraria bons 500 anos! A fachada da Catedral, como a vemos hoje, só foi completada no começo do século XIX, sob a pressão de Napoleão Bonaparte, que quis ser coroado rei de Itália nada mais nada menos que no Duomo de Milão.

2. … e as muitas, muitas estátuas

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Estátuas decorativas da catedral de Milão, Itália. Foto: svarshik / Bigstock
Estátuas
Estátuas catedral de Milão. Foto: Wikipédia

Na verdade, a Catedral não deixou de ser ampliada e decorada nem mesmo após a coroação de Napoleão. Principalmente o número de esculturas não pára de crescer desde o início da construção em 1386: a Catedral de Milão é a igreja com o maior número de estátuas do mundo! Hoje se contam não menos do que três mil e quatrocentas estátuas, de todos os tipos e tamanhos, representando uma infinidade de formas diferentes, algumas até mesmo muito bizarras.

Estátuas duomo de Milão.
Estátuas catedral de Milão. Foto: Thepalmer de Getty Images Signature / Canva e Wikipédia.

Assim, além das muitas gárgulas e imagens de santos, você verá aqui e ali um estranho inseto, ou um dragão, algum monstro humanoide, ou então dois boxeadores lutando (uma homenagem a um campeão italiano do século XX). Há até mesmo, na fachada, uma estátua numa pose extremamente parecida com a da famosa Estátua da Liberdade de Nova Iorque: há quem diga que esta seja um plágio da menor e menos conhecida estátua do Duomo!

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"Estátua da Liberdade" - Duomo de Milão
“Estátua da Liberdade” – catedral de Milão. Foto: V0v / Bigstock
Detalhe da Catedral de Milão.
Detalhe da Catedral de Milão. Foto: V0v / Bigstock
Itália Sonhada

3. A estátua de São Bartolomeu

E por falar em estátuas inusitadas, dentro da Catedral você poderá admirar uma escultura muito famosa e incomum. Se trata de um homem que, à primeira vista, parece extremamente musculoso e macilento, coberto por um manto, jogado ao redor do corpo à maneira de toga. Na verdade, a estátua representa São Bartolomeu, o qual, como martírio, sofreu a esfoliação: o manto ao redor da estátua é a própria pele do santo, e seu corpo é musculoso porque, de fato, vemos seus músculos em carne viva. Uma estátua certamente impactante, e até mesmo macabra, mas de inegável maestria técnica e beleza. Vale a pena conferir.

Estátua de São Bartolomeu
Estátua de São Bartolomeu – Catedral de Milão. Foto: Wikipédia.

4. Os vitrais da Catedral de Milão

A Catedral de Milão é também renomada pelos seus vitrais monumentais e gigantescos: imensos, eles contornam toda a igreja, contando, num espetáculo de cores distribuído em mais de 50 janelas, grandes episódios do Novo e Antigo Testamento.

Interior da Catedral de Milão.
Interior da Catedral de Milão. Foto: Svarshik / Bigstock

Assim como a Catedral, os vitrais foram construídos ao longo dos séculos: os mais antigos remontam ao século XIV, enquanto os mais recentes, ao século passado.

Famoso pela sua imponência e grandiosidade é o Vitral do Apocalipse, que conta diversas cenas da visão reveladora de São João no Novo Testamento: é uma verdadeira obra-prima da arte vitral como você dificilmente encontrará em outro lugar.

Catedral de Milão – Vitrais do Apocalipse, século XIX. Foto: Carlo Dell’Orto / Wikipédia

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5. A Madonnina da Catedral de Milão

Mas o verdadeiro símbolo da cidade de Milão, ao qual os milaneses são muito apegados, é a famosa estátua de Nossa Senhora colocada sobre a Catedral, a qual eles chamam carinhosamente no seu dialeto Madunina, no dialeto da cidade.

A Madonnina do duomo de Milão.
A Madonnina do duomo de Milão. Foto: Baloncici / Bigstock

A estátua foi colocada sobre a agulha mais alta da Catedral em 1774, que era também, até então, o ponto mais alto de toda Milão. Quando no começo do século passado alguns arranha-céus quiseram superar a marca da Madunina, votou-se uma lei que impedia que qualquer edifício a superasse em altura. Todavia, com o tempo, a Prefeitura teve que abrir algumas (poucas) exceções – mas com uma condição: todo prédio que supera a altura da Madunina é obrigado a colocar no seu topo uma réplica perfeita da estátua, para que esta continue sendo o ponto mais alto da cidade!

Detalhe da Madonnina da catedral de Milão
Detalhe da Madonnina da catedral de Milão. Foto: Magann / Bigstock

Claramente os milaneses demonstram seu apego e carinho por seu amado ícone, que ficou ainda mais conhecido graças à famosa canção, hoje também símbolo de Milão, “O mia bela Madunina” di Gino Bramieri.

Nas palavras do grande escritor americano, Mark Twain:

“A Catedral, símbolo por excelência de Milão, é a primeira coisa que se busca quando nos levantamos de manhã e a última sobre a qual o olhar se pousa à tarde. Dizem que a Catedral de Milão fica atrás somente de São Pedro no Vaticano. Não consigo entender como possa ficar em segundo lugar em comparação com qualquer outra obra realizada pela mão do homem”.

Catedral de Milão.
Catedral de Milão. Foto: Jaroslav Moravcik / 123RF

Por Yuri Borges Loyola
Foto de capa: Sergej Borzov / 123RF