Galleria degli Uffizi

Florença: 5 obras imperdíveis da Galleria degli Uffizi

Arte e Arquitetura - 08/04/2020

Por Yuri Borges Loyola

Foto de capa: Hibiscus81/Shutterstock.com

A Galleria degli Uffizi em Florença é o museu de arte mais importante da Itália e um dos mais ricos de todo o mundo. Aqui você poderá apreciar um patrimônio artístico de valor inestimável, como não poderia deixar de ser na cidade que foi o berço do Renascimento italiano. O Museu surpreende seja pela qualidade, seja pela quantidade das obras, que atraem todos os anos dois milhões de visitantes vindos de todo o mundo. Fizemos uma lista de cinco das mais belas obras do Museu, para que sirva de bússola no teu passeio por este labirinto de beleza no qual, todavia, vale a pena se perder.

1. Filippo Lippi – Nossa Senhora com menino Jesus e dois anjos

Obra prima do pintor Filippo Lippi, este quadro é de uma incrível delicadeza, que inspirou muitos outros artistas, como Botticelli. Maria, mãe há pouco tempo, olha para seu filho a um só tempo com ternura e melancolia, como se já pudesse intuir o triste destino ao qual este seria submetido. Jesus, ainda um pequeno bebê, estica seus braços em direção à mãe, apoiando-se em seu ombro e procurando-lhe o abraço; seguram-no dois anjos, um dos quais olha diretamente para o espectador, sorridente, convidando-o a participar da beleza daquela cena. Filippo Lippi conseguiu imprimir naturalidade, com uma doçura e humanidade raras, a um dos momentos mais solenes e sagrados da fé cristã: o nascimento de Jesus.  

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2. Leonardo da Vinci – A anunciação

Este célebre quadro de Leonardo surpreende pela qualidade e perfeição, ainda mais considerando a idade do artista quando o pintou, por volta então dos vinte anos. A elaboração da perspectiva é perfeita, fruto da observação da natureza e dos estudos de matemática rigorosos do pintor. O mesmo se pode dizer da riqueza de detalhes: das dobras nas vestes de Maria; às asas e aos cabelos do anjo; às flores espalhadas pelo chão – tudo é representado com meticulosa maestria pelo pintor – . Ao horizonte pode-se já perceber a utilização da célebre técnica inventada por Leonardo: a paisagem de plano de fundo parece esmorecer aos poucos desaparecendo por entre a névoa, criando uma atmosfera suspensa e de mistério, que Da Vinci usará em seguida também no seu mais famoso quadro, a Mona Lisa.

3. Botticelli – O nascimento de Vênus

Um dos quadros mais famosos do mundo, o Nascimento de Vênus é certamente a obra-prima de Botticelli. A beleza estonteante, mas ao mesmo tempo tranquilizadora, da deusa do amor é colhida no momento do seu nascimento – a partir das ondas do mar, seguindo a mitologia grega. A deusa é impelida para o litoral pelas divindades símbolo dos ventos de primavera, que sopram flores em sua direção. Isso porque Vênus traz consigo a estação da vida, do amor e da renovação, após a dura frieza do inverno, quando nada mais nasce. À direita, a deusa do amor está prestes a ser acolhida na praia por uma outra divindade, que tenta cobrir a sua nudez com um manto bordado de flores: mais um símbolo da chegada da primavera e, assim, do desabrochar irreprimível da vida.

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4. Caravaggio – Baco

Achado por acaso em 1913, esquecido por anos em um dos depósitos dos Uffizi, este quadro é, todavia, uma das maiores obras-primas de Caravaggio. Representa de forma sensual e provocadora (como quase sempre em Caravaggio) o deus do vinho, Baco, como um jovem adolescente no ato de oferecer uma taça a quem aprecia o quadro. As bochechas rosadas do garoto, seus olhos entreabertos e o vinho que treme dentro da taça indicam a embriaguez do deus, mas também indicam seu convite provocante a desfrutar dos prazeres dos sentidos. A perfeição técnica de Caravaggio é evidente não só nos traços do corpo de Baco, mas principalmente na estupenda natureza morta, desenhada com minúcias de detalhes, que completa a cena.

Ticiano – Vênus de Urbino

Diferentemente da Vênus de Botticelli, imersa na atmosfera do mito grego antigo, a Vênus de Tiziano é representada em um ambiente moderno: um típico quarto da nobreza da época do Renascimento. Vênus, nua e em primeiro plano, embora se cubra em parte com a mão esquerda, fita, todavia, o espectador com um olhar provocador ou, ao menos, sugestivo. O significado do quadro, porém, é ambíguo, pois se opõem à sensualidade da deusa outras imagens representativas do amor conjugal e da fidelidade: a aliança na mão, o brinco de pérola (símbolo de pureza), o pequeno cachorro de estimação adormecido. Em segundo plano, de forma quase teatral, veem-se duas criadas diante do baú da própria senhora, uma das quais segura aos ombros um vestido de noiva. Tiziano quis desse modo representar a um só tempo, na mesma figura de Vênus, os dois lados, sensual e sentimental, do amor entre os cônjuges.

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