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O Moisés de Michelangelo

Arte e Arquitetura - 19/04/2017
Por Adrian Theodor

Em nossos diversos textos já escritos para este blog, destacamos aquilo que, para nós, a Itália tem, ao mesmo tempo, de mais peculiar e desconhecido. Desde a culinária dos doces típicos da Piazza Luigi Pirandello, em Agrigento, à magnificência da natureza da Costa Amalfitana ou a potência histórica de Pompeia e Ercolano.

Hoje, contudo, trazemos uma condensação de tudo o que o Velho País pode nos oferecer. O elemento definidor de sua preservação histórica capaz de suspender a respiração do visitante atento: a restauração da iluminação da admirável tumba do Papa Júlio II, construída por Michelangelo, protagonizada por sua escultura mais magnífica e enigmática, denominada por “Moisés”.

Close na estátua do Moisés de Michelangelo

Com cerca de 2,35 metros de altura, no centro de um complexo escultural encomendado para ser a tumba do Papa Júlio II, o “Moisés de Michelangelo” é uma síntese do Renascimento italiano. Destaca, simultaneamente, por um lado, a atenção antropocêntrica da valorização do humano e de sua anatomia e razão estética; e, por outro, a urgência em se voltar para a luz divina que seria a única porta para a salvação eterna. Um prenúncio do claro-escuro, da luta interna do eu entre a humanidade da perdição eterna e a divindade redentora da salvação, tão definidor do Barroco, escola filosófica e artística posterior.

Vista total do complexo escultural do Moisés, de Michelangelo

Localizada na Basílica de San Pietro in Vincoli, em Roma, a magnífica estrutura foi pensada por seu mestre nos mínimos detalhes. Seu projeto original não se encerrava na meticulosidade do desenho escultural em si, como também se ampliava em sua relação com a incidência da luz. A própria basílica, no século XVI, foi redesenhada para receber a obra de Michelangelo, modificando-se o arco principal acima da obra. A intenção seria a de oferecer ao conjunto da obra, de modo geral, e a Moisés, em particular, uma possibilidade única de visão a cada ponto em que estivesse a luz solar ao longo do mesmo dia. Além da tridimensionalidade oferecida por qualquer obra de escultura, a luz poderia proporcionar uma sensação muito diversa de profundidade. Além, é claro, de simbolizar a própria divindade da luz incidindo sobre o mármore, símbolo da matéria humana. Todavia, após sucessivas reformas na Basílica, uma de suas janelas fora fechada, aniquilando a potência criativa de seu escultor.

Vista panorâmica da estrutura

Após longo estudo de Antonio Forcellino, arquiteto e restaurador, e Mario Nanni, especialista em iluminação, um audacioso projeto foi instaurado para reestabelecer o “jogo de luz e sombra” planejado por Michelangelo. O estudo englobou as inúmeras possibilidades da incidência da luz sobre a Basílica, que, a seguir, foram reproduzidas com diversas luzes em LED e programação computadorizada. Resultando no que mais próximo poderia ser a ideia original do artífice italiano, caso todas as janelas da Basílica estivessem preservadas e abertas. A bravura do projeto representa a preocupação da Itália em manter preservadas não apenas as obras artísticas presentes em seu território tão rico quanto vasto, porém também o espírito de seus gênios incomparáveis.

No vídeo a seguir, em italiano, é possível acompanhar um pouco do processo incrível desta restauração: Abbiamo ritrovato la luce di Michelangelo

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