O Moisés de Michelangelo

Arte e Arquitetura - 17/03/2021

Considerada uma obra prima do Renascimento italiano, o Moisés de Michelangelo, abrigado na Basílica de São Pedro in Vincoli, em Roma, é uma obra de grande maestria e de rara perfeição.

Michelangelo, um dos maiores artistas da história, recebeu, em 1505, a encomenda para realizar a tumba do Papa Júlio II. O Moisés foi uma das primeiras estátuas esculpidas para o projeto da tumba do papa, também foi a única entre as concebidas desde o início a ser utilizada na obra finalizada.

Graças ao vigor, ao virtuosismo anatômico e à sua grandeza (proporcional ao duplo do natural), o Moisés é uma das obras escultóricas mais famosas de Michelangelo e da escultura ocidental em geral, um exemplo simbólico daquele ‘terrível’ que se encontra em suas melhores obras.

Conheça a história da obra que, após acontecimentos diversos e tortuosos, veio à luz quarenta anos depois, em 1545.


Sumário
• A Roma do Papa Júlio II
• A tumba de Júlio II
• A tragédia da sepultura e o Moisés de Michelangelo
• O profeta Moisés
• Descrição do Moisés de Michelangelo
• Por que o Moisés de Michelangelo tem chifres?
• A Torção do dorso e da cabeça de Moisés
• Perché non parli!?


A Roma do Papa Júlio II

Raffaello Sanzio, retrato de Júlio II (1512), Londres – National Gallery. Foto Arte Word.

Um dos principais pontífices do Renascimento, a figura de Julio II (Giulio della Rovere) dominava Roma no início de 1500.

Eleito em 1503 como sucessor de seu arqui-inimigo Alessandro VI Borgia, Júlio II trabalhou com determinação para resgatar a posição hegemônica do papado, que estava fragmentada tanto em relação aos estados italianos, quanto às grandes potências europeias.

Com esse objetivo em mente, Julio II aventurou-se em uma série de campanhas militares vitoriosas por meio de um jogo de alianças alternadas. Apesar dos sucessos, o desejo universalista do pontífice revelou-se completamente antiquado, provavelmente por ter subestimado o peso político dos Países estrangeiros envolvidos nos embates entres os estados italianos, pois o fato de ter transformado a Itália em um campo de batalha fez com que Espanha e França assumissem o controle do território.

Julio II, um papa humanista, cultivou o amor pelo antigo e paralelamente às suas campanhas militares, ansioso por reviver as glórias da Roma imperial, também inaugurou uma política cultural abrangente, oferecendo espaço aos artistas renascentistas mais famosos da época, como Bramante, Raffaello e Michelangelo. Tal intento teve um êxito positivo, tanto é que já nos primeiros anos do século XVI, Roma se tornou a capital cultural da Itália.

Em seguida, Júlio II empreendeu grandes obras, dentre elas, o projeto ambicioso de reconstrução da basílica de San Pietro, que foi confiado a Donato Bramante. A ideia do papa era a de colocar seu grandioso monumento fúnebre dentro da nova basílica. Para a realização do projeto, ele pensou em Michelangelo, que já havia dado provas de sua habilidade como escultor com a realização da Pietà (1498-1499) encomendada pelo Cardeal francês Jean Bilhères de Lagraulas, e do David (1501-1504), que provavelmente é a obra escultórica mais conhecida do mundo.

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A tumba de Júlio II

Em março de 1505, Michelangelo, que estava em Florença, partiu para Roma para encontrar o Papa Júlio II, que lhe convocou movido pelo desejo de construir uma tumba, que fosse digna de um chefe do Cristianismo, para ser colocada na Basílica de São Pedro.

Michelangelo começou a conceber um projeto ambicioso do monumento cristão, que deveria ser um imponente mausoléu inspirado nos grandes edifícios sepulcrais romanos, e se tornar a tumba mais apreciada não só da Renascença, mas de toda a história.

O projeto audacioso de Michelangelo para a tumba de Júlio II

A ideia inicial de Michelangelo era a de criar uma estrutura arquitetônica monumental. A parte inferior deveria ser embelezada por figuras de escravos – Prigioni – (atualmente no Louvre e na Galleria dell’Accademia em Florença) e a parte superior pelas figuras de Moisés e São Paulo, símbolos da Vida Contemplativa e da Vida Ativa, que deveriam dirigir a atenção do observador para o caixão do Papa.

Tumba de Giulio II (projeto original) – Michelangelo.

O sepulcro deveria ser em forma de pirâmide, com o caixão do Papa na ponta, rodeado por cerca de quarenta estátuas (de mármore e bronze) espalhadas por toda a estrutura. A estátua do Papa no alto, acompanhada por dois anjos, deveria representar o despertar do falecido durante o Juízo Final. O projeto agradou muito ao pontífice.

O conflito entre Michelangelo e Papa Julio II

Cerca de um mês depois de receber a encomenda, Michelangelo partiu para Carrara à procura dos mármores necessários para a construção da obra monumental, e permaneceu oito meses por lá.

Os outros artistas presentes no círculo papal não viam com bons olhos a figura de Michelangelo, de modo que enquanto o artista estava em Carrara, começaram a desviar a atenção do Papa para outros projetos, mostrando-lhe muitas outras obras que contribuiriam para realçar a glória de Roma.

Os recursos papais eram tantos, mas não infinitos e então Bramante, empenhado na difícil tarefa de reconstruir a Basílica de São Pedro, fez com que o projeto do túmulo de Júlio II fosse colocado em segundo plano, dando início aos eventos da “tragédia da sepultura”, que perseguiria Michelangelo por quarenta anos. Assim, Michelangelo escreveu em uma carta tardia:

[…]. Todos os conflitos que surgiram entre mim e o papa Júlio foram causados pela inveja de Bramante e de Raffaello de Urbino [Raffaello Sanzio]; e eles foram a causa pela qual o papa não deu sequência ao projeto do seu túmulo enquanto viveu, acabando por arruinar-me. E Raffaello tinha bons motivos para me invejar, sendo que o que ele sabia fazer como artista, havia aprendido me mim.

Michelangelo Buonarroti em uma carta de 1542.

“[…]. Tutte le discordie che naqquono tra papa Iulio e me fu la invidia di Bramante et di Raffaello da Urbino; et questa fu causa che non e’ seguitò la sua sepoltura in vita sua, per rovinarmi. Et avevane bene cagione Raffaello, ché ciò che aveva dell’arte, l’aveva da me”

Daniele da Volterra, Retrato de Michelangelo Buonarroti (1475–1564), 1545 (cerca). Foto Wikipédia.

Decepcionado, Michelangelo deixou Roma. Reconciliados em 1508, o Papa ofereceu ao artista a oportunidade de decorar a abóbada da Capela Sistina (1508-1512) e continuar o projeto da sua tumba.

Michelangelo Buonarroti, teto da Capela Sistina, 1508-12, afresco 4093×1341 cm. Cidade do Vaticano.

Papa Júlio II morreu em 1513, mas em seu testamento escreveu que queria retomar o projeto original idealizado por Michelangelo para a construção de seu túmulo.

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Após a morte de Julio II, o projeto foi suspenso, alterado e retomado várias vezes. As negociações, com frequentes brigas, foram conduzidas por Michelangelo com os herdeiros do falecido.

As tratativas seguiram até 1545, quando Michelangelo tinha setenta anos. Durante esse período, seis diferentes projetos foram estipulados com contratos que determinaram mudanças em relação ao desenho original (a cada novo contrato, o projeto encolhia), bem como a mudança do local final da obra monumental; em 1532, Papa Clemente VII, atuou como mediador entre Michelangelo e os herdeiros de Júlio II e assim a obra seria destinada ao interior da Basílica de San Pietro in Vincoli.

A realização da obra foi marcada por tantas controvérsias, dúvidas e acusações em um intervalo de tempo muito longo que o próprio Michelangelo definiu o mausoléu como “a tragédia da sepultura”.

O novo Papa Paulo III, após a conclusão da obra Juízo Final, ajudou Michelangelo a encontrar uma nova solução com os herdeiros de Júlio II. Em 1542, foi estipulado um novo contrato que previa a conclusão da tumba por Michelangelo ou outros artistas sob a sua orientação.

A nova versão incluía a presença da escultura de Moisés no centro do complexo e também as estátuas de Raquel e Lia. O resto da decoração foi feito por outros artistas e este projeto gigantesco foi definitivamente concluído, embora muito diferente do que foi idealizado.

Vista total do complexo escultural da tumba do Papa Júlio II com o Moisés de Michelangelo. Basílica São Pedro in Vincoli. Foto: @valentinaverie

O profeta Moisés

Segundo a história narrada na Bíblia, Moisés é o homem encarregado por Deus para libertar o povo de Israel da escravidão do Egito, e conduzi-lo à terra prometida.

O episódio imortalizado pela estátua de Michelangelo corresponde a um momento muito específico da história do Êxodo. Durante uma parada, Moisés subiu ao Monte Sinai para receber de Deus as tábuas de pedra contendo a lei, os dez mandamentos (Êxodo 24:12-18).  O povo, que havia acampado aos pés do Monte, impaciente, construiu um “bezerro de ouro”. Ao descer da montanha Moisés se distraiu com os gritos de seu povo que festejava e dançava, em idolatria, ao redor do bezerro de ouro e, com raiva, jogou as tábuas da lei ao chão.

Detalhe dos músculos que revelam a tensão do Moisés de Michelangelo. Foto: alestaleiro / Flickr

A estátua de Michelangelo representa, com rara perfeição, o momento dramático em que Moisés é invadido por uma terrível cólera e parece que está prestes a se levantar e destruir tudo. As tábuas ainda estão inteiras debaixo do braço, mas já numa situação muito instável, caso o “gigante” se levante. Talvez o versículo 15 do cap. 32 do Êxodo tenha inspirado o artista: “Moisés voltou-se e desceu do monte”.

Descrição do Moisés de Michelangelo (1513-1515 e 1542 – 1545)

Moisés de Michelangelo. Basílica São Pedro in Vincoli. Foto: Guido Sagrillo / Flickr

Com cerca de 2,35 metros de altura, no centro do complexo escultural da tumba do Papa Júlio II, o colossal Moisés é representado sentado com o rosto virado e zangado, com o pé direito completamente apoiado no chão, e com a perna esquerda levantada, de modo que apenas a ponta do pé toca no chão. O braço direito segura as tábuas da lei que, no entanto, estão de cabeça para baixo e dão a impressão de que poderão cair a qualquer momento. Com a mão esquerda, Moisés segura a barba, em uma atitude pensativa. O incrível olhar do profeta é certamente um dos detalhes mais característicos da obra – muitas vezes foi interpretado como uma expressão do próprio caráter de Michelangelo, irascível, orgulhoso, melindroso e severo -, em que é possível captar sua ira e desapontamento (ao observar o detalhe dos músculos, é possível notar que ele está extremamente tenso, prestes a se levantar e liberar toda a sua raiva).

A estátua de Michelangelo, uma figura gigantesca cheia de vitalidade e energia, é caracterizada por uma atitude majestosa e pelo realismo que permeia cada parte.

Crônicas da época narram que Moisés foi uma das obras favoritas de Michelangelo, que a considerou absolutamente realista.

Por que o Moisés de Michelangelo tem chifres?

Muito provavelmente por um erro de tradução, do livro do Êxodo, ocorrido durante a Idade Média.

Os chifres presentes na cabeça de Moisés podem, portanto, estar relacionados a uma interpretação literal da versão do episódio narrado na Vulgata (tradução latina da Bíblia das versões grega e hebraica).

Detalhe dos chifres do Moisés de Michelangelo. Foto Bruno Brunelli / Flickr

A tradução se refere a “chifres” ou “keren”, que provavelmente é um erro. O termo chifrudo ligado a Moisés permaneceu em uso até a Renascimento, tanto é que Michelangelo o interpretou literalmente para a construção da estátua do profeta. O termo original é precisamente “karen” ou “luz”. Na verdade, no relato bíblico narra-se que Moisés tinha dois raios de luz que saíam de sua testa e não dois chifres.

Outro fato que pode ter contribuído para a equivocada interpretação é que, durante a Idade Média se acreditava que somente Jesus poderia ter um rosto banhado de luz.

Em outubro de 2003, foi concluída a restauração do monumento funerário de Júlio II, do qual o Moisés de Michelangelo faz parte.

O restaurador Antonio Forcellino, que antes de iniciar o trabalho de restauração do monumento, realizou uma apurada pesquisa filológica e recuperou uma carta de um conhecido anônimo de Michelangelo (certificado autêntico) que relata que o artista “virou a cabeça a Moisés”, provavelmente 25 anos após a conclusão da obra (em março de 1542).

Segundo Christoph L. Frommel, o maior estudioso de Michelangelo, o artista realizou esse trabalho posterior por motivos religiosos, pois, desta forma, Moisés desvia o olhar dos altares da abside e do transepto, onde as correntes de São Pedro eram veneradas, e onde eram concedidas indulgências a inúmeros peregrinos, como se tivesse visto um novo bezerro de ouro. Atualmente, o olhar do profeta está voltado para o fundo da igreja, para a porta de onde a luz entra.

A hipótese da alteração da estátua original é confirmada por alguns indícios:

A barba

Nota-se que a barba de Moisés foi puxada para a direita, isso se deve ao fato de que do outro lado não havia mármore suficiente para torná-la perpendicular, como era originalmente.

Detalhe da barba do Moisés de Michelangelo. Foto via Verba Volant Monumenta Manent

O trono

Para dar um efeito natural ao conjunto da obra, Michelangelo teve que abaixar o trono no qual Moisés está sentado em 7 centímetros.

O pé esquerdo e o joelho

Tendo que recuar o pé esquerdo, que não estava na posição correta, o artista teve que apertar o joelho em cinco centímetros em relação ao direito.

Detalhe dos joelhos e das vestes do Moisés de Michelangelo. Foto via Verba Volant Monumenta Manent

O cinturão

Ao examinar a estátua por trás (o que não acontecia desde a época de Canova) foi descoberto um grande cinto que não aparece na parte da frente.

Outra interpretação do fato de que Moisés é representado com a cabeça girada é sugerida por Freud, que em 1913 conheceu a obra e a estudou detalhadamente. Ele chegou a publicar, em 1914, um artigo intitulado “O Moisés de Michelangelo”, de forma anônima, em uma revista importante de cultura psicanalítica da época.  Segundo o célebre psicanalista, Michelangelo representou a reação do profeta diante da cena que acontecia diante de seus olhos: virou a cabeça puxando a barba para domar a própria ira e para resguardar as tábuas dos Mandamentos.  

Freud também acredita que o Moisés de Michelangelo é diferente daquele bíblico. Sugere que o personagem está se contendo, apaziguando sua raiva e tornando a si.

Saiba mais aqui.

Existe ainda uma terceira interpretação! Em 2004, um amante da arte de Carrara, Mauro Pisani, sugeriu que as modificações feitas em Moisés por Michelangelo eram necessárias para camuflar um acidente ocorrido durante sua realização: o antebraço esquerdo, esculpido inicialmente na posição vertical, quebrou, e assim Michelangelo teve que conceber a torção e demais modificações na estátua.

Qualquer que seja o motivo da alteração, o fato é que fazer uma estátua de mármore, já esculpida, assumir uma posição diferente não é uma empresa simples, alguns diriam que é impossível, e aqui Michelangelo, mais uma vez, dá provas de sua habilidade como escultor, um mestre incomparável.

Perché non parli!?

Diz a lenda que Michelangelo, admirando seu Moisés, fascinado pelas formas muito realistas de sua imponente escultura, foi acometido por um violento acesso de raiva e exclamou a famosa frase Perché non parli!? (Por que você não fala!?)”. Além disso, narra-se que o artista chegou a acertar com veemência o joelho do profeta com um martelo.

Detalhe do rosto da estátua de Moisés de Michelangelo
Detalhe do rosto da estátua de Moisés de Michelangelo. Foto: Jan Voorhaar Flickr

E para finalizar, o grande historiador da arte Giorgio Vasari, na obra “Le Vite”, em relação à escultura de Michelangelo escreveu que:

“não tem igual nem nas obras modernas, nem nas antigas. Sentado com uma atitude séria, ele [o Moisés] se apoia com um braço sobre as Tábuas (dos Mandamentos) e com o outro segura sua longa barba lustrosa. O cabelo, tão difícil de representar nas esculturas, é tão macio e aveludado que quase parece que o cinzel de ferro se transformou em uma escova. O rosto bonito, como o de um santo ou de um príncipe lendário, quase precisa de um véu para cobri-lo, é esplêndido e brilhante, e o artista apresentou no mármore a divindade com a qual Deus santificou aquele rosto. As vestes caem graciosamente e os músculos dos braços e os ossos das mãos são tão bonitos e perfeitos, assim como as pernas e joelhos, os pés são adornados com calçados excelentes a tal ponto que Moisés agora poderia ser chamado de, mais do que nunca, amigo de Deus, pois Deus se certificou de que seu corpo estivesse preparado para a ressurreição antes dos demais, graças à mão de Michelangelo. Os judeus ainda vão todos os sábados em grupos para visitá-lo e adorá-lo como divino, não como um ser humano.”

“Michelangelo ha finito il Mosè in marmo, una statua di “5 braccia” e che non ha eguali né nelle opere moderne né in quelle antiche. Seduto con un atteggiamento serio, riposa con un braccio sulle Tavole (dei Comandamenti) e con l’altra regge la lunga barba lucida. I capelli, così difficili da rendere nelle sculture, sono talmente soffici e morbidi che sembra che quasi lo scalpello di ferro si sia trasformato in un pennello. La bellissima faccia, come quella di un santo o di un leggendario principe, ha quasi bisogno di un velo per coprirlo, appare così splendido e luminoso, e l’artista ha presentato nel marmo la divinità con cui Dio ha reso quel volto santo. I drappeggi cadono in falde piene di grazia ed i muscoli delle braccia e le ossa delle mani sono così belle e perfette, esattamente come le gambe e le ginocchia, i piedi sono adornati con delle scarpe eccellenti a tal punto che Mosè potrebbe essere chiamato ora più che mai l’amico di Dio, dato che Dio ha fatto sì che il suo corpo venisse preparato per la resurrezione prima degli altri grazie alla mano di Michelangelo. Gli Ebrei ancora vanno ogni Sabato in gruppo per visitarlo ed adorarlo come divino, non come un essere umano”.


Por Alessandra Amaral
Foto de capa: VinLuc83 / Flickr

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