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Gueto de Veneza, o mais antigo do mundo!

Pontos Turísticos - 25/02/2019
Por Alessandra Amaral Cenci
Foto de capa: Oleg Znamenskiy / 123RF

O Gueto mais antigo do mundo está em Veneza!

O Gueto – palavra que deve a sua origem ao termo italiano ghetto – é um bairro ou região de uma cidade onde vivem os membros de uma etnia ou qualquer outro grupo minoritário, normalmente por causa de injunções ou circunstâncias econômica-sociais. Tristemente famoso é o gueto de Varsóvia, onde, durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas confinaram os Judeus poloneses.

Gueto (ghetto) Ebraico. Foto: Oleg Znamenskiy/ 123RF.

A palavra italiana ghetto, por sua vez, vem do dialeto veneziano: era o nome de uma ilha onde existia uma fundição que fabricava peças para a artilharia da cidade. Ghettare em veneziano significava “afinar o metal com a ghetta”, ou seja, com o dióxido de chumbo. Desde o século XIV, essa região da cidade era dividida em duas partes: o Ghetto Vecchio e o Ghetto Nuovo.

No começo de 1.500, por consequência da Guerra de Cambrai (um conflito marcado pelo combate de uma vasta coalizão, formada pelos principais estados europeus, contra a República de Veneza) um número relevante de Judeus se abrigou em Veneza, levantando as preocupações dos Cristãos. Em 29 de março de 1516, o Senado da República decretou que os Hebreus presentes na ilha tivessem que residir na região chamada de Ghetto Nuovo. Nasceu, desta forma, o primeiro gueto do mundo.

O Ghetto Nuovo era e é ainda hoje uma ilha à qual se acede somente por duas pontes. Na entrada das mesmas foram postos dois portões de ferro, que à noite eram fechados e vigiados: os Judeus podiam sair de lá somente durante o dia, desde que tivessem um sinal de identificação.

Ponte do Ghetto Nuovo - Veneza.
Ponte do Ghetto Nuovo – Veneza. Foto: Patchoa / Flickr

Devido ao crescimento demográfico da comunidade hebraica (mais de
4000), os moradores tiveram que recorrer à expansão vertical, e é por isso que o gueto é a única érea de Veneza que tem edifícios altos, que chegam a até oito andares. Apesar disso, foi em todo caso necessário, ao longo dos séculos, ampliar a região, anexando o Ghetto Vecchio e criando o Vecchio Nuovissimo.

Vista do gueto de Veneza. Edifícios com muitos andares e tetos baixos. Foto via: Vivo Venetia
Gueto de Veneza. Foto : Alessandro Cristiano / 123RF

Tradicionalmente os Judeus venezianos praticavam a agiotagem, da qual nos restam inúmeros testemunhos literários e epistolares: ir ao gueto para fazer um empréstimo ou resgatar objetos penhorados era usual entre os moradores de Veneza. Essa atividade inclusive é testemunhada pela belíssima peça teatral de William Shakespeare, o “Mercador de Veneza” (apresentada pela primeira vez em 1605).

Com a queda da República de Veneza (1797) e a conquista por parte de Napoleão, as discriminações para com os Hebreus cessaram, os portões de gueto foram removidos e os Judeus vieram a ser equiparados a todos os demais cidadãos.

Detalhe em porta no Gueto de Veneza

O que visitar no Gueto de Veneza

Em relação à aparência externa, o gueto não se distingue muito do resto de Veneza. A única coisa que o diferencia são as casas muito altas e estreitas. Logo na entrada do gueto, ao lado esquerdo tem uma placa em mármore que lista as punições para aqueles judeus que, mesmo que se converteram ao cristianismo, continuaram a praticar rituais judaicos.

Gueto de Veneza. Foto: Alexandre Rotenberg / 123RF

Museu Hebraico e cemitério judeu

O bairro Ghetto faz parte do “sestiere” de Cannaregio, próximo à estação ferroviária, e é pouco frequentado pelos turistas. De fato, não faz parte dos roteiros turísticos convencionais, mas a atmosfera charmosa e a inconfundível fisionomia da região, com vielas e pracinhas rodeadas por edifícios altos e decadentes, faz do gueto um lugar imperdível.

O interessantíssimo Museu Hebraico abriga alguns objetos interessantes, manuscritos e documentos da cidade judaica de Veneza. Aqui é possível reservar uma visita guiada ao cemitério judeu no Lido.

Museu Hebraico Veneza
Museu Hebraico Veneza. Foto: Museo Ebraico di Venezia

As sinagogas

No século XVI foram erguidas várias sinagogas, uma por cada nacionalidade: a Schola Grande Tedesca, a Schola Canton (ritual ashkenazita), a Schola Levantina, a Schola Spagnola e a Schola Italiana. Em 1719 o número desses edifícios de cultos, que constituem um complexo arquitetônico de enorme interesse, chegou a sete.

Sinagoga Italiana – Gueto de Veneza. Foto: Museo Ebraico di Venezia.

Hoje em dia o gueto é muito bem conservado (sem dúvida, o melhor conservado da Europa), embora a comunidade judaica conte apenas com poucas centenas de pessoas. Existem ainda cinco sinagogas, das quais duas continuam funcionando regularmente, e os demais edifícios da comunidade ainda hoje têm funções institucionais.

As sinagogas são a alma do gueto. Estando no topo dos edifícios pre-existentes, elas dificilmente são reconhecidas do lado de fora, enquanto na parte interna elas guardam pequenas joias.

Sinagoga Tedesca – Gueto de Veneza. Museo Ebraico di Venezia

No Gueto há também vários restaurantes em que é possível experimentar a culinária judaica veneziana, uma cativante síntese entre a culinária dos Hebreus Ashkenaziti, de procedência alemã, e a dos Sefarditas, originários do Sul da França e da Espanha. O prato mais representativo são as “Sarde in saor”: sardinhas agridoces.

Longe da multidão dos turistas que em todos os períodos do ano invadem Veneza, o Gheto é um lugar mágico, que cativa pelo seu misterioso silêncio. Não deixe de visitá-lo!

Entrada para um antigo beco no ghetto novissimo. Foto: Alexandre Rotenberg / 123RF

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