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Mosteiro de Santa Caterina del Sasso – Lago Maggiore

Pontos Turísticos - 26/11/2018
Por Marina Pasquarelli Perez
Foto de capa: Александр Безмолитвенный / 123RF

Mosteiro de Santa Caterina del Sasso: um tempo para sentir o próprio tempo.

Existem lugares capazes de despertar em nós certo tipo de consciência transcendental e uma (re)descoberta de conexão com o mundo. Nesse cantinho do mundo, onde natureza, literatura, filosofia e espiritualidade convergem, refletimos sobre o sentido da vida e os rumos que damos a ela. O encontro com a natureza tem o poder de nos fazer parar. Ou melhor, querer parar. Falando sobre o mar, a poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen sintetiza maravilhosamente bem este encontro:

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Ainda que não se trate do mar, vale se apropriar do sentido do poema para transferi-lo ao efeito das águas em nós, sejam elas do mar ou de um lago. É assim a experiência proporcionada pelo belíssimo Lago Maggiore, um dos maiores lagos da Itália (divide Piemonte e Lombardia da Suíça), onde se encontra esta grande atração turística: o Mosteiro de Santa Caterina del Sasso, localizado na província de Varese, na Lombardia.

Dessas mesmas águas parece emergir o mosteiro: uma construção em pedra enraizada numa parede rochosa sobre o lago, o Mosteiro de Santa Caterina del Sasso é um complexo com três edifícios que se complementam e dão o toque mágico ao lugar.

Vista do mosteiro Santa Caterina del Sasso sobre o Lago Maggiore. Foto: Stefan Ember/ 123RF

A lenda em torno do mosteiro remonta ao século XII, quando Alberto Besozzi, um rico e ávido comerciante de origem milanesa, foi surpreendido por uma forte tempestade quando atravessava de barco o Lago Maggiore, voltando do mercado de Angera. Sentindo próxima a morte, pediu a intercessão de Santa Caterina d’Alessandria, de quem era devoto. Quis a vontade da santa que Alberto sobrevivesse ao naufrágio, o que o levou à promessa de passar a vida em solidão e oração. O homem, insensível e estoico, se tornaria um eremita e beato, compensando a fama de comerciante adepto à prática de usura e comércio ilícito – teria até prometido a alma ao diabo em troca de riqueza e tesouros –, e seria responsável pela construção da capela em homenagem à santa como forma de agradecimento, em 1195. Em 1330, depois de uma primeira colônia de eremitismo (em italiano, eremo significa eremitério, ou seja, lugar ou casa em que vivem os eremitas), a ordem dos Agostinianos construiu um pequeno convento e um oratório e, nos séculos que se seguiram, o complexo foi ampliado progressivamente, pertencendo a diversas ordens. Atualmente, pertence aos Oblatos Beneditinos.

Em 1604, talvez por inconformidade do diabo, outro fato inacreditável: por conta de um pequeno terremoto, cinco rochas enormes se desprenderam da parede rochosa e danificaram o teto da capela onde estava o corpo de Besozzi, que venceu pela segunda vez o diabo, pois a sua tumba não foi destruída.

Corpo de um eremita Alberto Besozzi na igreja de Santa Catarina del Sasso no Lago Maggiore. Foto: Fotoember/ Bigstock

Para conhecer este fascinante local histórico banhado pelas águas do lago, há duas possibilidades. De carro (está a 80 km de Milão, 43 de Lugano e 145 de Turim) ou de barco, saindo da estação Laveno Mamebello, que atraca num pequeno porto do mosteiro. Para quem vai de carro, o acesso é a partir das Cascine del Quicchio, e uma grande praça acima do mosteiro, onde é permitido estacionar segundo as indicações. Aproveite para conhecer as cascine(quintas ou casas de campo), um complexo arquitetônico que representa a arquitetura rural e conta um pouco do modo de viver dos antigos moradores. Próximo às quintas, há um parquinho para as crianças e uma trilha de trekking que leva a uma magnifica vista do lago e um bar-restaurante para abastecer as energias antes ou depois da descida ao eremitério; 268 degraus de uma descida muito agradável que conduzem o turista à entrada do mosteiro, passando pelo lindo panorama do Lago Maggiore, em meio à vegetação verdejante que cresce ao lado da parede rochosa. Há também a opção de pegar o elevador escavado na rocha para superar os 51 metros de desnível entre a praça e a entrada.

Chegada de barco ao mosteiro. Natureza e mosteiro se fundem nesse cenário paradisíaco. Foto: Александр Безмолитвенный/ 123RF

O acesso pelo lago é, sem dúvida, o mais atraente. Assim que se aproxima do mosteiro, é possível ver os três edifícios que o compõem fixados na rocha e embelezados pela natureza circundante. Ao descer, passa-se um pequeno pórtico e, em seguida, uma escada de 80 degraus vai se articulando por entre a vegetação – no fim, uma bifurcação conduz ao elevador à direita e, à esquerda, à entrada do santuário.

A escada em meio à vegetação nos leva a uma comunhão com a natureza, banhada pelas águas azuis do Lago Maggiore. Foto: Alessandro Lai/ 123RF

Conforme já dito anteriormente, o mosteiro é formado por três partes: o Convento Meridional, Conventino e Igreja. Passada a entrada, à direita, está a porta para o Convento Meridional, construído no século XIV e cujo pórtico de 7 arcos se estende em dois planos. Há um átrio que leva ao seu núcleo mais antigo, a Sala Capitolare, onde o olhar é imediatamente atraído pelos afrescos do século XV, antes escondidos por várias camadas de cal e restaurados em 2003 pela província de Varese.

Colunata do Convento Meridionale. O corredor com vista para o Lago Maggiore apresenta as Ilhas Borromeu, um grupo de três pequenas ilhas e dois ilhéus. Aproveite este momento com calma para sentir o encontro mágico entre a natureza e construção humana. Foto: Alessandro Mascheroni/ 123RF

O terraço do Convento Meridional leva ao Conventino com seus arcos de estilo gótico, estrutura datada do século XIII que funcionava como ambiente de serviços para o convento (cozinha, refeitório, dormitórios).

Na Sala Capitolare, afrescos do século XV revelam a riqueza de detalhes da história do mosteiro. Foto: Elesi/ 123RF

A beleza do lugar é tanta, que serviu de cenário para o filme La stanza del vescovo, de Dino Rossi, em 1977 e, em 1989, para a série televisiva I promessi sposi (romance de Alessandro Manzoni), de Salvatore Nocita.

Da Igreja de Santa Caterina del Sasso, é possível ver a fachada externa do Conventino, de onde se tem uma vista de tirar o fôlego do Lago Maggiore. Foto: Alessandro Mascheroni/ 123RF
No pequeno e charmoso jardim do Convetino, há uma monumental espremedeira de madeira não mais utilizada. Foto: Alessandro Lai/ 123RF

Depois do Conventino, finalmente chegamos ao coração do eremo, a igreja de Santa Caterina, cuja entrada é decorada por arcos de estilo renascentista. Embaixo do pórtico, afrescos inesquecíveis são protegidos por algumas paredes de vidro. Ao fundo da igreja, encontra-se a antiga capela em homenagem à santa e o lugar onde jaz o corpo do beato Besozzi, iluminado pelos raios de sol que passam pelo buraco deixado no teto. Na segunda metade do século XIV, a igreja foi reestruturada e as capelas pré-existentes foram fundidas em um único edifício. Vale a pena aproveitar a visita guiada disponível, já que a disposição da igreja é um pouco irregular pela própria topografia e pelas estruturas que foram sendo construídas ao longo dos anos. São muitas particularidades, detalhes importantes e interessantes que não podem ser deixados de lado para uma melhor compreensão dessa história tão rica.

Os pórticos da Igreja de Santa Caterina. Ao lado, o campanário do século XIV. Foto: Stevanzz/ 123RF

Um lugar capaz de tocar no mais profundo dos nossos segredos e transfigurar a nossa experiência em algo que, de tão genuinamente humano, parece divino. O encontro das águas com a arte tem mesmo o poder de conectar o nosso tempo ao Tempo.

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