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A Essência Toscana: Vinhos e Renascimento em Montalcino e Pienza

Enogastronomia - 30/10/2017
Por Adrian Theodor
Foto de capa: Vista de Montalcino – Arseniy Krasnevsky/ 123RF

Ainda na belíssima Região da Toscana, um de nossos destinos preferidos no Velho País, apresentamos um roteiro que destaca duas de suas comunas mais singulares, mesmo que por razões diferentes. Em Montalcino, viveremos mais uma vez a insubstituível experiência do vinho toscano; em Pienza, a extraordinária visão de uma cidade planejada desde o século XV, segundo a perspectiva estética do Renascimento.

Montalcino

A um pouco mais de 40 Km de Siena, na Via Cassia, no sentido de Roma, imerso no Val d’Orcia, Montalcino é território de dois dos vinhos mais importantes da riquíssima Região vinícola da Toscana: o Brunello di Montalcino e o Rosso di Montalcino. E a apreciação desses requintados tintos será o ponto essencial de nosso roteiro.

É claro que sua visita por Montalcino não precisa parar por aí. Deixe-se levar pela história do lugar e conheça a Fortezza di Montalcino, construída no século XIV como sistema de defesa e conserva até os dias atuais sua forma pentagonal e torres em cada ponta (a vista que a Fortaleza oferece do vale do Val d’Orcia é inigualável); o Palazzo dei Priori e a Torre dell’Orologio, hoje sede da prefeitura e construída no século XII; a Piazza del Popolo, atualmente ocupada por galerias que abrigam lojas ou restaurantes, mas com arcos construídos ainda no século XIV; o Museo Civico Diocesano di Arte Sacra, um dos mais importantes museus arqueológicos e de arte sacra de toda a Província de Siena, com mais de 200 obras à disposição do visitante; o Duomo, de estilo neoclássico, erguido no século XI; ou a Abbadia di Sant’Antimo, de características da arquitetura românica (a visita vale ainda mais a pena se conseguir ver a missa e a oferta de seu canto gregoriano tradicional).

Fortezza de Montalcino – Toscana. Foto: Greta Gabaglio/ 123RF
Abadia de Sant’Antimo, Montalcino – Toscana. Foto: Stevanzz/ 123RF

Entretanto, recomendamos que o centro de seu roteiro em Montalcino circule ao redor de seus vinhos mais característicos, o Brunello e o Rosso, ambos originados da endêmica uva Sangiovese Grosso, sem misturas. O Brunello, envelhecido por 36 meses em barrica de carvalho, é um tinto mais encorpado, intenso, com maior tempo de guarda, um pouco tânico e de aroma riquíssimo. O Rosso é mais jovem, com menor tempo de amadurecimento na barrica, de cor rubi e aroma mais próximo do que conhecemos por frutas vermelhas e especiarias. Ambos possuem certificação DOCG e são a marca da Comuna, que produz outras variedades de vinho tinto.

Uva Sangiovese Grosso

Recomendamos que faça um circuito que percorra as principais vinícolas da região, disponíveis para visitação, degustação e, claro, aquisição dos vinhos mais preciosos de Montalcino. No site oficial do Consórcio do Vinho Brunello di Montalcino é possível ter conhecimento de todas as vinícolas e cantinas disponíveis para provar as maravilhas dos tintos da Comuna, porém, deixamos aqui algumas sugestões.

A Abbadia Ardenga, que se autodenomina “cantina museu”, recebe visitantes para degustação dos principais tintos da região, além de oferecer repertório histórico relacionado à produção do vinho desde o século XIX. Ela está localizada na Via Romana 139, e recebe visitas, inclusive guiadas, desde que o contato seja feito com ao menos um dia de antecedência.

Site oficial: http://www.abbadiardengapoggio.it/.

O Castello Banfi, localizado em Castello di Poggio alle Mura 53024, reconhecido no mundo inteiro por seu cuidado com o vinho de Montalcino, oferece uma ampla experiência de uma visita na Toscana. Possui não apenas uma grande oferta dos vinhos da região, como uma rede de restaurante dedicados ao que é típico da comida regional. A Taverna Banfi foi sem dúvida uma de nossas grandes experiências culinárias durante a estadia na Toscana.

Site oficial: https://castellobanfi.com/en/.

As Tenute Silvio Nardi Montalcino, bastante orgulhosa de sua história de luta para se estabelecer no ramo vinícola desde o século XIX, e a Col D’Orcia Montalcino, produtora mais ampla de quase todas as variações existentes na Comuna, oferecem a visitação habitual dos vinhos da região. Em qualquer um desses estabelecimentos, você conhecerá todo o processo de produção do vinho, desde a colheita, até o engarrafamento, com visita guiada. Ao final, terá a oportunidade de degustar os vinhos disponíveis e, claro, adquirir as garrafas.

Site oficial: http://www.tenutenardi.com/.

Site oficial: http://www.coldorcia.it/.

Pienza

A mais ou menos 20 Km de Montalcino, no caminho para Siena, Pienza encarna o ideal urbano e arquitetônico do Renascimento e, por isso mesmo, é até hoje reconhecida pela designação de “cidade ideal”.

Vista de Pienza – Toscana. Foto: Jacek Nowak/ 123RF

Encomendada pelo Papa Pio II, no século XV, ao arquiteto Bernardo Rossellino, o então burgo medieval conhecido como Corsignano se transforma na renascentista Pienza, nome dado em homenagem a este papa, o primeiro nascido na Província de Siena. Tal dedicação se deve ao fato de Pio II ter nascido em Corsignano, em decadência no século XV e revitalizado por seu maior patrono. A construção da nova cidade, a partir da praça central, foi organizada segundo os cânones estéticos do Renascimento, com o máximo de racionalização e cuidado com a perspectiva de cada construção em relação ao seu centro. Inspirado no famoso mestre da arquitetura, Leon Batista Alberti, construiu o Duomo de Pienza segundo as diretrizes da construção da Catedral em Rimini. À direita do Duomo, ainda na praça central, está localizado o Palazzo Piccolomini, também inspirado em seu mestre arquitetônico e muito semelhante a outra construção de Rosselino, o Palazzo Rucellai, em Florença.

Catedral de Pienza – Toscana. Foto: Lianem/ 123RF

A morte prematura de Pio II acaba por cancelar as obras antes de sua completa conclusão, mas, Pienza permanece até os dias atuais como memória do intenso esforço renascentista pela racionalização e intensa busca da perfeição da forma e da métrica. Serve-nos, inclusive, para um aprofundamento histórico acerca das relações extremamente complexas entre a Igreja Católica e um dos primeiros movimentos que a questiona na Modernidade, o Renascimento. Demonstrando a complexidade da formação da mentalidade moderna em relação àquela que aos poucos substitui, a medieval.

Rua do centro histórico de Pienza – Toscana. Foto: Eddygaleotti/ Bigstock

O centro histórico de Pienza, portanto, não deve ser visitado como em outras comunas na Itália. Este Patrimônio da Humanidade da UNESCO guarda em si não apenas aulas de história, todavia todo um arcabouço filosófico que merece reflexão a cada segundo de sua estadia.

Rua de Pienza – Toscana. Foto: Kesu01/ Bigstock

Para além da praça central e seu planejamento preciso, perca-se também pelas ruelas da Comuna. A cada esquina e a cada espaço arquitetônico perceberá uma oportunidade para fotografar o belíssimo Val d’Orcia, sempre visível em Pienza. A vista do Monte Amiata, no verão, a partir da Via Dell’Amore, por exemplo, é de tirar o fôlego.

Pecorino de Pienza. Foto: Toscana Inside

Se em Montalcino experimentamos um dos melhores vinhos da Toscana, não deixe de provar em Pienza o queijo Pecorino. O Pecorino de Pienza, feito a partir do queijo de cabra, é daquelas oportunidades culinárias imperdíveis. Então, deixe-se levar pela reflexão filosófica e histórica que a praça central despertou em você e sente-se sem pressa para apreciá-lo. Quem sabe, mais uma vez, com um bom vinho toscano? Como costumamos dizer, não tem como errar.

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