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Toscana em 3 tempos: Cortona, Lucignano e Anghiari

Cidades Históricas - 23/10/2017
Por Adrian Theodor

Ainda na riquíssima Região da Toscana, nosso roteiro de hoje trata de três comunas bastante desconhecidas pelos turistas brasileiros, geralmente habituados às visitações por Florença ou, quando mais atentos, pelos territórios vinícolas do Chianti.

As comunas de Cortona, Lucignano e Anghiari formam um triângulo no interior da bastante desenvolvida Província de Arezzo. Recomendamos que faça a visita aos três burgos em mais ou menos três dias, devendo dispor de pelo menos mais dois se for também visitar Arezzo e ainda mais dois se quiser aproveitar sua passagem e o aluguel de seu carro para conhecer os Vales mais importantes da Toscana: Chianti, Elsa, Orcia e Chiana.

Dica: Se planeja conhecer a Toscana de forma mais profunda, recomendamos nossos diversos textos sobre a Região, todos aqui neste blog: “Florença, a Capital Toscana”; “A Toscana Desconhecida”; “3 preciosidades da Toscana”; “A Toscana dos Etruscos” e “Arezzo: História Cinematográfica no Coração da Toscana”. São todos roteiros de tirar o fôlego e garantias de que conhecerá a Região como pouquíssimos brasileiros já tiveram a oportunidade.

Cortona

Iniciaremos nossa viagem por Cortona, a Sudeste de Arezzo, já próxima da fronteira com a Região da Úmbria.

Apesar de não ser o estilo literário mais próximo do que apreciamos, Cortona (foto de capa) acabou se tornando destino obrigatório por quem passa pela Toscana como resultado de “Sob o Sol da Toscana”, de Frances Mayes. Roteiro que, inclusive foi filmado para o cinema. Para muitos brasileiros, por isso, Cortona acaba sendo mais conhecida do que a própria Arezzo.

De origem Antiga, localizada em posição estratégica no coração da Toscana, a Comuna foi palco de disputas territoriais ao longo de toda a sua história. Apesar das maiores permanências serem etruscas e romanas, Cortona já passou pelos domínios militares de fiorentinos, úmbrios, napolitanos e godos. E cada camada de tais trajetórias pode ser encontrada por um passeio pelo seu centro histórico.

O primeiro ponto de visitação deve ser justamente sua muralha etrusca, em partes ainda preservada e uma metáfora da abertura de um envelope para a história. A muralha possui seis entradas, representadas por seis portas. Todas devem ser alvo de sua visita e, claro, magníficas fotografias. Dê atenção especial à Porta Bifora que, além de pouquíssimo modificada ao longo de seus mais de dois mil anos de história, te deixará em frente à Piazza della Repubblica.

Porta Bifora em Cortona

Conheça também:

Piazza della Repubblica: no coração da Comuna, a Praça dá vazão para as principais ruas e representa testemunho histórico importantíssimo das alterações medievais sobre o antigo Fórum Romano. Aproveite a visita para fotografar a visão ampla proporcionada pelo topo da escadaria principal com direção à sede do município.

Fórum Romano

Piazza Signorelli e Teatro Signorelli: a praça fica bem próxima à da República e abriga o Museo dell’Accademia Etrusca e della Città di Cortona (MAEC), importante centro cultural não apenas devido aos registros Antigos da Comuna, como também por ser sede da Biblioteca de Cortona. O Teatro data do século XIX, construído pelo arquiteto de Arezzo, Carlo Gatteschi, em estilo Neoclássico, com sete arcos em seu corredor principal. O Teatro é ainda ativo para apresentações, por isso, quando estiver por aqui, fique atento à programação.

Duomo di Cortona: além de sua importância histórica e arquitetônica, por ter sua edificação renascentista baseada em uma antiga construção etrusca do ano 1000, o Corys etrusca, a Catedral merece sua visita por abrigar obras de arte importantíssimas da região, como a “Nossa Senhora das Lágrimas”, datada do século XIII; a “Consagração da Igreja do Santíssimo Salvador”, de Andrea Commodi, de 1607; e a “Adoração dos Pastores”, de Pietro da Cortona, de 1663. Isso sem contar a estrutura interna, formada por colunas e capiteis à Brunelleschi.

Duomo di Cortona

Museo Diocesano: o museu está localizado em frente ao Duomo e tem, logo na entrada, sua obra principal, um sarcófago romano do século II que retrata o “Combate entre Dionísio e as Amazonas”, de inestimável valor arqueológico e histórico. Pode-se observar por aqui, também, obras relevantes de artistas como Pietro Lorenzetti, Fra Angelico, Bartolomeo della Gatta, Sassetta e Luca Signorelli.

Fortezza di Girifalco: localizada no topo da Comuna, a Fortaleza foi construída sobre uma antiga construção etrusca por Gabrio Serbelloni, a mando de Cosimo I de Medici, no século XVI. Em forma trapezoidal, o edifício militar oferece vista magnífica da Comuna de Cortona e do Valdichiana.

Fortezza di Girifalco

Eremo delle Celle: ainda na peregrinação religiosa pela Comuna, não deixe de visitar o Eremitério fundado pelo próprio São Francisco de Assis, no século XIII, cercado por rica vegetação, montes e impressionante cachoeira. O local de oração de São Francisco, chamado de “célula”, foi mantido intacto pelos capuchinhos, atuais mantenedores do Convento, e pode ser visitado pelos turistas.

Lucignano

Lucignano impressiona por ser um vilarejo medieval conservado apesar da passagem do tempo. Passar por aqui nos deixou, mais uma vez, impactados pelo cuidado que a Itália tem com sua história, seu grande orgulho nacional. Apesar de pequenino, com mais ou menos 3 mil habitantes, a Comuna é incrível e merece toda a sua atenção de viajante.

Dica: a estrutura de hospedagem por aqui não é grande. Ou você deve usar Cortona ou Arezzo como base, passar o dia aqui e pegar a estrada de volta; ou se hospede em uma dessas estâncias de agroturismo, experimentando um pouco do que a Toscana pode oferecer neste sentido.

O principal ponto turístico de Lucignano é justamente sua formação medieval. A Comuna é resultado de uma construção em forma de elipse, com ruelas cercadas por muros concêntricos até atingir, finalmente, o centro, na Piazza del Tribunal. A formação labiríntica impressiona por seu planejamento fortificado e, consequentemente, experiência histórica. Estar por aqui é mesmo como estar em uma fortificação na Idade Média.

Vista aérea de Lucignano

Ao Sudeste de Arezzo, no caminho para Siena, a Comuna tem posição estratégica na Região da Toscana e, por isso, representa também a sucessão histórica de diversas ocupações humanas, desde os Etruscos, passando pelos Romanos e, enfim, tomada por Siena, Arezzo e Florença. Ao girar em volta da Comuna até atingir o centro, é possível verificar suas diferentes ocupações.

Inicie sua volta por Lucignano por uma de suas portas principais, ou a Porta San Giovanni ou a Porta San Giusto, ambas datadas do século XIV. Já no centro da elipse, visite a Piazza del Tribunale, ponto máximo do centro histórico. Dali, conheça a Chiesa Collegiata di San Michele Arcangelo, do século XVI; a Chiesa di San Francesco, de arquitetura Gótica Franciscana, datada do século XIII; e o Palazzo Comunale, datado do século XIII, representa o ideal urbanístico da vila medieval, por estar localizado em ponto estratégico no contexto murado concêntrico de todo o restante do espaço urbano.

Piazza del Tribunale

O palácio hoje abriga o Museo Comunale, com obras artísticas e arquitetônicas que representam com muita fidelidade a sucessão de ocupações históricas da região, iniciando na Idade Média e percorrendo uma trajetória até o Renascimento. Sua obra mais famosa é o Albero della vita, ou simplesmente “Árvore da Vida”, construída em ouro maciço, com mais de 12 ramos e trabalhada ao longo de mais de 120 anos até ficar pronta. Construída sucessivamente por Ugolino da Vieri e Gabriello D’Antonio, a árvore tinha sentido exclusivamente religioso, evidenciando em sua formação um crucifixo e um pelicano, símbolo de Cristo alimentando, com seu próprio sangue, seus filhos humanos. Atualmente, a árvore, também reconhecida como “Árvore do Amor”, é um símbolo de amor eterno. E para lá viajam casais do mundo inteiro, que juram a eternização de sua união diante da magnífica construção dourada.

Albero della vita, no Museo Comunale

Finalmente, também como estrutura arquitetônica integrada aos muros concêntricos da vila medieval, acesse o Cassero Senese, ou a Rocca, enfim, a fortaleza de Lucignano. Sua torre principal é quadrangular e foi construída com fins de proteção militar. A torre menor é mais centralizada e dá visão para o Duomo. É uma representação não apenas da já citada capacidade arquitetônica medieval, como também de como nada na Comuna foi construído à toa, ou sob perspectivas meramente estéticas. Cada elemento de sua arquitetura tinha objetivo urbanístico, com atenção especial aos anéis concêntricos dedicados à proteção militar deste ponto tão estratégico na Região da Toscana.

Anghiari

Localizada mais ou menos a Nordeste de Arezzo, a Comuna de Anghiari é o destino deste roteiro menos conhecido pelo turismo brasileiro na Itália. Definitivamente fora do circuito turístico dedicado à Toscana, oferece oportunidade única de conhecer um dos burgos medievais mais belos da região do Vale de Chiana.

Vista aérea de Anghiari

Mais um dos territórios estratégicos da Toscana presentes neste texto, Anghiari foi palco de renomadíssima batalha entre florentinos e milaneses no século XV. Tal enfrentamento militar foi tão importante na época, que Leonardo da Vinci, sob encomenda, teria confeccionado um grande afresco na Sala del Gran Consiglio, salão nobre do Palazzo Vecchio, em Florença, retratando-o. Muitos mistérios envolvem esta obra artística, que estaria encoberta por elemento artístico posterior, de Giorgio Vasari. O que sobra, é o resultado histórico de uma batalha campal pelo domínio de uma zona estratégica importantíssima no período medieval e sua interpretação artística por um dos maiores gênios entre aqueles já existentes no mundo. É impossível, portanto, deixar esta visita de fora de nosso roteiro pela Toscana.

Afresco de Leonardo da VInci na Sala del Gran Consiglio

Anghiari é recorrentemente chamada de “um dos burgos mais belos da Itália”, mesmo entre os italianos. E essa denominação não se dá à toa. A Comuna concilia narrativa histórica, construções religiosas, arquitetura medieval e paisagens naturais dignas desta nomenclatura.

Como se não bastasse toda essa bagagem, a Comuna é ainda um centro importantíssimo do movimento Slow Food, por sua dedicação à apreciação culinária mais lenta, tranquila e que valoriza os produtos alimentícios, assim como seus produtores. Anghiari possui também o selo de “Cidade Slow” (Città Slow), parte do reconhecimento nacional e internacional por seu cuidado com a culinária, mantendo não só a originalidade local, porém se contrapondo ao excesso de velocidade e carência qualitativa da alimentação contemporânea representada pelo odioso fast-food. Adeptos que somos ao movimento, visitar Anghiari foi um bálsamo para o estômago tão cansado da correria sem sentido vivida em São Paulo, a terra natal.

Entre a Toscana e a Úmbria, esta Comuna é rica em testemunhos históricos de imenso valor. Não deixe de conhecer verdadeiras joias medievais e renascentistas, como o Palazzo Taglieschi, edifício renascentista, posse da poderosa família toscana da época, os Taglieschi; a Badia di San Bartolomeo, construção medieval do século XII, hoje sede da Escola Leonardo da Vinci e abrigo para obras importantes de Tino di Camaino e Desiderio da Settignano; a Cappella della Misericordia, datada do século XIV; a Chiesa della Croce, que marca a passagem de São Francisco de Assis pela Comuna, ainda no século XIII; e, enfim, a Chiesa di Santo Stefano, exemplo da arquitetura típica da Alta Idade Média, de influência bizantina, localizada fora do centro histórico de Anghiari, na extensa planície que teria sido o grande palco da histórica batalha representada pelo afresco de Leonardo da Vinci.

Chiesa di Santo Stefano

Apesar de não se tratar do grande foco deste texto, em Anghiari gostaríamos de recomendar que experimente o Brignoli, a típica massa da Comuna. Trata-se de um espaguete artesanal, feito somente à base de água e farinha, de tradição camponesa. É servido ao molho de cogumelos Porcini, colhidos nos bosques de Val Tiberina. Ou ainda ao molho de carne, famoso na Toscana, resultado da cocção da panturrilha do gado da raça Chianina. Coma devagar, aprecie cada garfada, não tenha nenhuma pressa. O momento da refeição, em Anghiari, é o momento máximo da reflexão, do contato humano, do êxtase.

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