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Torino – Dois mil anos de História no Piemonte

Cidades Históricas - 19/08/2017
Por Adrian Theodor

Localizada a Noroeste da Itália, na extremidade Ocidental da planície do Rio Pó, a Capital do Piemonte, Torino (mais conhecida por Turim, pelos brasileiros), é a quarta metrópole do país, depois de Roma, Milão e Nápoles. E, apesar da destacada grandeza, ainda é um destino pouco usual para o turista brasileiro. Por isso, tentaremos aqui deixar algumas dicas aqui, apresentaremos não apenas parte de sua história, como também ofereceremos dicas valiosas para o visitante que deseja visitar mais este ponto turístico essencial para se conhecer o Velho País.

Vista panorâmica de Torino

Em primeiro lugar, planeje muito bem a sua chegada em Torino. É possível desembarcar diretamente no Aeroporto Internacional de Turim, o Turin Caselle Airport, entretanto, se faz necessário procurar passagens no Brasil com antecedência, tendo em vista as possibilidades de escalas, provavelmente em Roma ou Milão. O Aeroporto não fica no centro, sendo necessário, portanto, pegar um trem por 16 Km até Torino. Ele sai a cada meia hora, até às 21h45 (valores e horários podem ser consultados no site da Trainline). Também é possível comprar a passagem de avião diretamente até Milão, e dali tomar um trem de alta velocidade, o Frecciarossa, até Torino. No site da Trenitalia você pode consultar valores e tempo de trajeto do percurso Milão-Turim. Faça sempre os cálculos de tempo e dos valores investidos com antecedência.

Já em Torino, é importante também pensar sobre a possibilidade do uso de um carro alugado. Se a sua intenção for para além deste roteiro, visitar as pequenas comunas do entorno da Capital, indicamos que alugue um carro com antecedência e verifique os valores de um sistema de localização, será mais caro, mas muito útil. Porém, na jornada pelo centro, lembramos que encontrar um lugar para estacionar não é sempre fácil, e que os valores de estacionamento não são exatamente um atrativo. Estacionar na rua é cobrado por hora, mais ou menos como a Zona Azul, de São Paulo, e os estacionamentos particulares ou aqueles associados aos hotéis podem custar desde 15 Euros por dia. Mais uma vez, planeje bem o seu roteiro e o seu orçamento para tomar uma decisão definitiva.

Dica: Sugerimos que faça uso da moderna e eficiente rede ferroviária subterrânea de Torino. Sem dúvidas, é o meio de transporte ideal para conhecer o Centro Histórico, por exemplo.

Feitos os preparativos, é hora de conhecer a Capital do Piemonte. Preparados?

Conhecendo o Centro Histórico:

Recomendamos que conheça ao menos uma parte do Centro Histórico aproveitando a experiência de uma visita monitorada. Se for fluente em italiano, poderá encontrar ofertas in loco, com diversos guias especializados e oficialmente cadastrados. Caso contrário, reserve uma visita com antecedência, ainda no Brasil, de preferência com um agente de viagem especializado. Torino é berço de mais de dois mil anos de história, e não queremos que perca a oportunidade de saber o máximo que for possível desta Comuna incrível.

Dica: Caso disponha de mais tempo para conhecer Torino, orientamos que dedique ao menos dois dias para se aprofundar nos detalhes riquíssimos do Centro Histórico. Principalmente se tiver a oportunidade de associar a História da Comuna com suas possibilidades gastronômicas.

Com ou sem a visita guiada, não deixe de conhecer:

Piazza Comitato di Liberazione Nazionale – Sua formação atual data do fascismo italiano, após a reforma de 1935. Abriga duas esculturas antropomórficas que simbolizam, por sua vez, o Rio Pó e o Rio Dora Riparia. Já foi ocupada pela polícia política alemã, a Gestapo, durante a Segunda Guerra Mundial, sendo assim, riquíssima em história, apesar de tão pequena em extensão.

Piazza San Carlo – Uma das Praças mais importantes do Centro Histórico de Torino, é mais conhecida por abrigar as igrejas gêmeas, em estilo barroco: Chiesa di San Carlo e Chiesa di Santa Cristina. Apesar do nome, os dois referidos templos religiosos não são exatamente gêmeos, por terem datas de construção e finalização de fachadas muito diversas entre si. Entretanto, a importância da visita se dá não apenas pela absorção estética do Barroco italiano, como também pela dedicação da vontade empreendida pelos seres humanos envolvidos em sua construção, capazes de manter vivo um projeto que se inicia no século XVII e somente é finalizado no XIX.

Piazza San Carlo

Santuario della Consolata – Também conhecida por Chiesa di Santa Maria della Consolazione, o Santuário é uma daquelas sínteses que encontramos na Itália sobre sua própria história. Belíssimo e grandioso exemplo do Barroco do Piemonte, é considerado um dos templos religiosos mais importantes de Turim. Iniciado no século XVII e finalizado apenas no XVIII, sua construção externa é tão importante quanto suas diversas partes internas. São tantos e tão rebuscados os detalhes, que foi uma das partes mais longas de minha visita à Comuna. Se vier para cá com uma daquelas visitas guiadas muito aceleradas, vale voltar depois com mais calma e permitir-se a contemplação. Mesmo que não tenha uma veia religiosa, é sempre importante entrar em contato com obras humanas assim tão emblemáticas e próximas da perfeição.

Santuário da Chiesa di Santa Maria della Consolazione

Mercato di Porta Palazzo – Dividido em quatro partes diferentes, abriga uma área com diversas categorias comerciais diferentes. Desde a tradicional venda de frutas, verduras e legumes, até o comércio de peixes, carnes, massas e vinhos. A maior feira ao ar livre está aqui, e é também aqui que deve se organizar para satisfazer seus desejos por comida italiana! Apelidado de “o ventre de Torino”, o Mercado terá para você inúmeras opções diversas da melhor culinária italiana.

Mercato di Porta Palazzo

Catedral de San Giovanni Battista – O Duomo di Torino, centro religioso mais importante da Comuna e sede da Arquidiocese, foi construído ainda no Renascimento, aos fins do século XV, sob pedido da Família Savoia. A Catedral pode ser visitada sob dois aspectos diferentes. Se você é um indivíduo religioso, certamente veio até aqui para ver de perto o lugar onde está a Sacra Sindone, ou o Santo Sudário, tecido em linho que supostamente teria coberto o rosto de Jesus, mesmo que ele não esteja sempre exposto por aqui. Agora, como já dissemos antes, se o que te move em uma viagem como esta não é a religiosidade, a visita é importante para que se possa observar de perto a arquitetura Renascentista de Torino. Não é sempre que conseguimos ver o Renascimento em seu próprio berço, a Itália, então se faz importante apreciar cada centímetro de sua confecção estrutural.

Piazza Castello – A Praça Castello é o coração do Centro Histórico de Torino. Por aqui, vale a visita ao Palazzo Madama e à Casaforte degli Acaja, ligados entre si por dois núcleos, formando um corolário de dois mil anos da história do Piemonte.

Piazza Castello

Palazzo Reale – Primeira e mais importante residência da Família Savoia no Piemonte, o Palácio Real está localizado na Piazza Reale, adjacente à Piazza Castello, também no coração de Torino. Um dos Patrimônios da Humanidade, reconhecido pela UNESCO, tem seu projeto de construção datado do século XVI e foi residência oficial da nobreza real do Piemonte até o início do período napoleônico, no final do século XVIII. É um dos pontos turísticos mais importantes da Comuna e sua visita por aqui é fundamental para conhecer não apenas um pouco da história de Torino, como de toda a Itália.

Mole Antonelliana – Aprecio sempre a ideia de finalizar meu roteiro pelo Centro Histórico de Torino, seja em um ou dois dias, pela Mole Antonelliana. Digo isto, não apenas porque este é o edifício de alvenaria mais elevado da Europa, com mais de 167 metros de altura, ou porque o seu elevador central leva o visitante para uma visão panorâmica belíssima de 360° da Comuna de Torino. Todavia, sim, por ser sua história uma síntese não apenas do sincretismo religioso conturbado da Itália, como também da humanidade. Cheia de percalços em sua edificação, o projeto original abrigava a construção de uma Sinagoga, custeada pela comunidade judaica. Entretanto, por problemas relacionados às finanças e aos interesses políticos em voga, o projeto foi finalizado pelo Governo Italiano, no final do século XIX. Não é à toa que ela carrega hoje o Museu do Cinema de Torino. Nem sempre nossos sonhos são concretos à realidade. E algumas vezes são permitidos apenas nas grandes telas da ficção.

Mole Antonelliana

Passeio Museológico:

Como já destacamos anteriormente, Torino é rica em sua tradição histórica. Para além do Centro Histórico, dedique ao menos um dia de seu roteiro para a visitação aos museus de maior relevância. Como já dissemos antes, se possível, aumente para dois dias esta parte do roteiro. Essa decisão permitirá que conheça os museus com mais calma.

Faça questão de visitar:

Politecnico di Torino – Uma das universidades de Engenharia e Arquitetura mais reconhecidas por sua excelência no mundo inteiro, o Politécnico pode também ser visitado por interessados internacionais. A visitação é dedicada a possíveis candidatos ao ingresso universitário no Politécnico. Orientamos que se programe esta visita com auxílio, ainda no Brasil, de um agente de viagem especializado em educação no exterior. A visita é guiada e passa pelos principais setores educativos da escola.

Museo Egizio – Fundado em 1824, o Museu Egípcio de Torino é, como sugere sua denominação, dedicado exclusivamente ao estudo e exposição da Antiguidade Egípcia. Com mais de 10 Km² de área útil e cerca de 37 mil peças arqueológicas, o Museu possui quatro andares para visitação de seu acervo. É o Museu Egípcio mais relevante do mundo, depois apenas do Museu do Cairo. É impossível pensar em uma viagem para Torino que deixe de lado o Museu Egípcio. Sua presença aqui é fundamental não apenas para entender parte da história da Itália, como o desenvolvimento dos museus como elementos de dominação histórica e organização de um patrimônio cultural profundo.

Escultura do Museo Egizio

Museo Nazionale dell’Automobile – Torino, sede mundial da fabricante de automóveis FIAT, abriga também um museu dedicado à velocidade. Possuindo em seu repertório desde os primeiros carros a vapor, até os atuais Fórmula 1, o Museu Nacional do Automóvel dedica ilustrações juntamente com os carros em exposição, que o ambientam em sua época; oferecendo, assim, uma sensação de identificação com o expectador, que logo contextualiza o objeto com sua época histórica. Mesmo aqueles que, como eu, não são lá grandes apaixonados pelos motores, irão aproveitar bastante a visita ao museu. A história relacionada ao desenvolvimento dos automóveis não é apenas sobre carros, mas sobre o esforço, muitas vezes desigual, do ser humano em superar sua própria força motriz.

GAM (Galleria Civica d’Arte Moderna e Contemporanea) – Museu especializado em arte moderna e contemporânea, com obras que datam dos séculos XIX e XX. Para o público brasileiro, o GAM geralmente tem um “estilo” mais familiar. Estamos acostumados, por aqui, a visitar museus de arte, muito mais do que os históricos. Assim como a Pinacoteca, em São Paulo, por exemplo, o GAM oferece um acervo fixo, composto pelas obras já citadas; diferentes mostras temporárias, conforme a época do ano; e atividades educacionais diversas.

Galleria Civica d’Arte Moderna e Contemporanea

Dica: Se você for um fã de futebol, aproveite também para conhecer o Juventus Museum. Além de saber muito mais sobre a história do clube alvinegro, poderá visitar o Allianz Stadium, estádio sede do time.

Margens do Rio Pó:

Não deixe Torino sem antes visitar as margens do emblemático Rio Pó e seus respectivos parques. De bicicleta ou a pé, iniciando o trajeto na bela Ponte Vittorio Emanuele I, ao longo do Corso Moncalieri, por um trecho de menos de 10 quilômetros, desbrave não só os aspectos naturais belíssimos, como também os diversos cafés e bares e restaurantes ao longo do Rio.

Leito do rio Pó

Em especial, dê atenção aos parques e jardins como o Parco delle Vallere, ou o Giardino Corpo Italiano di Liberazione, o Giardino Giuseppe Levi e o Giardino Roccioso.

Porém, definitivamente não pode faltar em sua caminhada o Borgo Medievale di Torino, um Parque e Museu construído com o objetivo de simular o modo de vida em um verdadeiro burgo medieval. Apesar de não ser um documento histórico que sobreviveu efetivamente à época representada, e sim uma simulação, o Burgo Medieval de Torino guarda informações históricas importantes sobre o período retratado.

Vista panorâmica do Borgo Medievale di Torino

O Burgo está localizado no interior do Parco del Valentino, que também deve ser visitado em sua caminhada às margens do Rio Pó.

No decorrer deste passeio, não se preocupe com o horário ou o local do almoço. Certamente irá se deparar com diversas oportunidades de fazer tranquilamente a sua refeição. Este dia é dedicado à contemplação. Então, aproveite-o profundamente. Torino também deixará sua marca indelével através de suas belezas naturais e do movimento plácido do Rio Pó. Se você organizou esta viagem em apenas três dias, estará bastante cansado do corre-corre turístico. Aproveite para não apenas descansar os olhos das coisas novas, mas para distender o horizonte do pensamento.

Dica Importante: Em quaisquer dos percursos que tenha feito ao longo de sua viagem, não deixe de conhecer os cafés históricos de Torino. Em especial, o Al Bicerin, criador da bebida à base de café, chocolate e creme de leite, também conhecida localmente como bicerin. E também o Caffè Fiorio, fundado ainda no século XVIII e conhecido internacionalmente pelo melhor Zabaione na taça de toda Torino! E isso sem contar o chocolate Gianduia, que pode ser provado sem reservas na Guido Gobino ou na Guido Castagna, chocolaterias de renome que certamente não deixarão você na mão.

Tradicional café de Torino

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