Puglia – do Adriático ao Jônico

Por Adrian Theodor

Em nosso último texto sobre a Puglia, navegamos sobre a Província de Bari. Conhecemos a delicadeza marcante de sua culinária, seu vigor histórico e potência natural. Hoje, ainda na pérola do Adriático, ainda na Puglia, caminharemos mais ao sul, na ponta da bota que forma o território italiano, mostrando a você quatro localidades imperdíveis em seu roteiro para esta Região tão desconhecida pelos viajantes brasileiros. Se você buscava um roteiro italiano exclusivo, sem dúvida acabou de encontrar.

Lecce

Começaremos desembarcando no Aeroporto de Brindisi, em Salento. Consulte seu agente de viagens para ter certeza das melhores opções de voo para a Puglia. Ali, se estiver em grupo, saia de ônibus fretado até Lecce. Se estiver em uma aventura sozinho ou à dois, recomendamos o aluguel de um carro.

Dica: Se você chegou bem cedo em Brindisi, faça um pequeno desvio após o aeroporto pela Strada Provinciale 366 San Cataldo-Otranto e dirija pela orla até a praia de San Cataldo. A vista do trajeto é incrível e a praia, belíssima. Claro, viaje para a Puglia no verão, como já recomendamos em nosso primeiro texto. Depois é só voltar pela SP 364 até o centro de Lecce.

Piazza-Sant'Oronzo

Piazza-Sant’Oronzo

Lecce será o ponto central de toda a nossa estadia, então, escolha um bom hotel por aqui. Recomendamos que fique no centro. Há mais estrutura e facilita a logística para o resto de nossa viagem.

Em Lecce, já estabelecido e confortável, comece a explorar. A Comuna é conhecida como a “Florença do Sul”, ou “Senhora do Barroco”, tamanha sua riqueza artística e histórica. Ao longo do dia, transite com um guia especializado pela cidade velha e conheça um pouco da história da Comuna, da Antiguidade Clássica do Império Romano ao Barroco de forte influência espanhola. Uma lista de toda a disponibilidade cultural de Lecce nos tomaria um texto inteiro, então, recomendamos que não perca o essencial: Piazza del Duomo e Cattedrale di Lecce; Teatro Romano e Anfiteatro Romano; Castello Carlos V; Colonna Sant’Oronzo (na praça de mesmo nome); Basilica di Santa Croce; Porta Napoli; Porta San Biagio.

Anfiteatro Romano de Lecce

Alguns desses destinos serão visitados em seu passeio com guia especializado, entretanto, ande um pouco mais e vá além do que está no pacote. Lembre-se sempre de nosso lema e explore. Recomendamos que garanta ao menos dois dias em Lecce para que veja tudo o que a Comuna pode te oferecer.

Para o almoço, se está procurando requinte e sofisticação, recomendamos o Le Quattro Spezierie, na Via Imperatore Augusto, com uma vista privilegiada do Duomo, ou o Nazionale e sua cozinha internacional de renome. Agora, se a ideia é mergulhar no que Lecce pode oferecer de típico, pode parar no Caffe dell’Anfiteatro e provar o caffè leccese, composto por café, leite de amêndoas e gelo; além das diversas opções de comidas “caseiras” feitas por ali. Ou ainda descansar o paladar num Primitivo, vinho típico da Puglia. Honestamente, não há como errar.

Ostuni

Na manhã seguinte, bem cedo, o caminho é longo, siga pelos mais de 70 quilômetros do trajeto até Ostuni, nossa próxima parada.

Ali, encontrará certamente uma das mais belas Comunas de toda a Puglia. Conhecida como “cidade branca”, devido à cor da cal, usada para pintar as paredes das construções há séculos, Ostuni poderá oferecer a você uma vista panorâmica do Adriático a cada esquina, a cada nova janela. Andar pelas ruelas de Ostuni parecerá como caminhar por uma cidade construída para ser um grande terraço para o azul do mar. Um límpido azul que se confunde ao vigoroso verde das oliveiras do Vale da Murgia. Não deixe de fazer uma bela foto panorâmica em um de seus muros!

Pequenina, a Comuna de Ostuni não oferecerá a você grandes possibilidades de visitação para além de seu próprio hipnotizante território. Todavia, não perca a fachada da “prefeitura” e a Igreja de São Francisco, na praça central; a Concattedrale di Santa Maria Assunta e a Chiesa di Santa Maria della Stella.

Dica: Ostuni é uma daquelas Comunas italianas discretas em sua importância. Muitos viajantes passam por ela muito rapidamente, julgando-a sem grande relevância em relação ao restante dos roteiros no Sul da Itália ou da Puglia. Mas não se deixe enganar. Passe tempo aqui. Respire fundo a visão soberana do azul do mar. Pare um pouco. Esqueça-se da pressa habitual. Ostuni somente poderá beijar seu rosto se você a contemplar com olhos de quem não precisa correr para além de seus muros. Acredite! Uma melancolia saudosa se apossa de quem passa muito rápido por suas paredes brancas salpicadas pelo cristalino no azul do mar.

Após almoçar e apreciar a vista na Enoteca e Ristorante Portanova, na cidade velha, é hora de pegar a estrada de volta para Lecce. Quem sabe ainda dá tempo de conhecer mais uma praia por lá?

Otranto

Na manhã do terceiro dia de nosso roteiro na Puglia, dirija pela SS16 (Via Puglia) direto para Otranto. São menos de 50 quilômetros e você vai poder apreciar um belíssimo caminho recheado com a típica vegetação mediterrânea do Sul da Itália. Não tenha pressa e aproveite.

Otranto

Otranto é uma Comuna litorânea por excelência. É conhecida como a porta italiana para o Oriente, por ser a municipalidade mais oriental da Itália. Alterne aqui sua visita entre sua potência histórica e exuberância natural. Caminhe pelo Burgo Antigo, a cidade velha e centro histórico e não deixe de visitar a Arquidiocese de Otranto, a Catedral de Otranto, a Catedral de Santa Maria da Anunciação e a Igreja de São Pedro. Em Otranto, a visita por seus templos religiosos nos contam a história de séculos de ocupações históricas, que vão do Império Romano às invasões turcas e ocupações bárbaras. Na referida Catedral, ao fundo da nave direita, encontra-se um espaço construído em memória dos fiéis que morreram durante a invasão e ocupação do Império Turco Otomano no século XV. A visão impressiona e é um dos momentos mais marcantes da visita ao Centro Histórico.

Conheça também o Castelo Aragonês, construído a partir do século XI e modificado continuamente até o século XVI, foi idealizado como centro fortificado de defesa, formando um único complexo defensivo com a muralha que circunda a Comuna. Demonstra, mais uma vez, o quanto a Comuna de Otranto já foi centro estratégico disputadíssimo entre os povos antigos, medievais e modernos.

Após as visitas históricas, almoce em algum dos restaurantes litorâneos típicos de Otranto. Tenha uma vista privilegiada no Mar Adriático e da Porta Italiana para o Oriente. À tarde, faremos o que mais gostamos no verão italiano da Puglia, visitaremos a orla marítima e, claro, conheceremos belíssimas praias!

Você pode começar seu roteiro litorâneo em Otranto com um passeio de barco que pode ser agendado ao final da Via del Porto ou navegando de carro pelas vias que percorrem a orla e parando de praia em praia. Mas não deixe de conhecer a exótica Spiaggia di Porto Craulo (Porto Corvo), praia localizada ao norte da Comuna, composta de rochas lisas e baixas, que protegem o litoral da ação dos ventos do norte.

Depois você pode seguir de volta no sentido sul, e escolher a praia que mais agrade seus olhos ou estimule os sentidos. Volte para o hotel em Lecce quando se sentir pronto. Amanhã é outro dia.

Gallipoli

No quarto dia de nosso roteiro na Puglia, conheceremos Gallipoli, a mais ou menos 40 quilômetros de Lecce pela SS 101. Diferentemente das outras Comunas que conhecemos nesta viagem, Gallipoli tem sua margem no Mar Jônico, não no Adriático. Tem o seu nome por origem grega, Kale polis, cidade bela. E os gregos, colonizadores originais, não erraram nesta nomenclatura, Gallipoli é mesmo magnífica!

Organizaremos nosso passeio dividindo Gallipoli em duas partes: o burgo (a seção mais nova da Comuna), e a cidade velha (ou centro histórico). Comece pelo centro histórico, na ponta Oeste da Comuna e perceba o quanto ela esbanja com o zelo por sua trajetória. Visite as inúmeras igrejas católicas presentes ali desde a Idade Média, como a Igreja de Santa Teresa, ou a Catedral de Santa Ágata (conhecida por sua arquitetura barroca e construída com uma pedra calcária local chamada de carparo), ou a Igreja de São Francisco, a do Santíssimo Crucifixo, a São Francisco de Paula, ou ainda a Paróquia Maria Santíssima de Canneto (esta já na parte nova da Comuna).

Além das igrejas, exemplos de como a fé também marca fisicamente a história de um povo, visite em especial o Castello di Gallipoli, remanescente dos escombros do Império Romano e do Império Bizantino, completamente cercado pelo mar e reformado com uma grande torre poligonal no Época Moderna, durante o domínio Aragonês. O acesso ao castelo se dá pelas tradicionais pontes levadiças que sempre emocionam o coração histórico deste viajante. Visite também o Rivellino, cortina protetora do castelo à leste.

Recomendamos que almoce em uma das diversas Trattorias típicas de Gallipoli, para uma experiência gastronômica local. Pode ser em um restaurante com vista para o mar na Riviera Sauro ou na Riviera Armando Diaz, ou os mais tradicionais ao longo da Via Antonietta de Pace. Mas as opções são diversas e à sua escolha.

Já no Burgo de Gallipoli, depois do almoço, nossa dica é a mesma de Otranto, aprecie um passeio pela orla do Mar Jônico, principalmente ao longo da Via della Cala e a Lungomare Galileu Galilei. Serão incontáveis pontos de parada para um bom banho de mar ou para fotografias incríveis. Apesar de ainda não muito conhecidas por muitos brasileiros, as praias de Gallipoli são disputadíssimas pelos Italianos no verão. Mas não deixe de visitar a Grotta del Diavolo, magnífica formação natural erodida pelo mar.

Ao fim da tarde, em nosso roteiro original, voltamos para a pernoite em Lecce e voo na manhã seguinte de volta ao Brasil. Mas, se o seu percurso permitir, fique um dia a mais em Gallipoli e aproveite seu imenso litoral Jônico. Afinal, é de perder o fôlego, não?

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