fbpx

Palermo – História e Arquitetura da grande Metrópole Siciliana

Arte e Arquitetura - 23/04/2018
Por Adrian Theodor

Seguindo nosso contorno litorâneo pela Sicília, após visitar o Noroeste, em Segesta e Castellammare del Golfo, chegamos finalmente em Palermo, a capital da ilha.

Dica: se ainda não conhece nosso roteiro pelo litoral Noroeste da Ilha, vai aqui uma leitura essencial: Segesta e Castellammare del Golfo – Potência Histórica e Beleza Litorânea a Noroeste da Sicília.

Templo grego em Segesta

Em primeiríssimo lugar, vale aqui lembrar que Palermo é uma das maiores cidades de toda a Itália, estando entre as cinco com maior número de habitantes. Além de tudo isso, é a capital da Sicília, oferecendo diversas possibilidades de roteiro turístico. É possível organizar a visita por aqui de diversas maneiras diferentes, seja dividindo-a em áreas geográficas ou ainda em categorias diferentes de turismo (histórico, litorâneo, comercial, etc.). Por isso, é sempre importante ter contato com uma boa agência de turismo, principalmente se sua viagem acontecer em grupo.

Organizar um roteiro por uma grande metrópole como Palermo é complexo. Imagine, por exemplo, no Brasil, oferecer a alguém dicas de viagem para conhecer uma cidade como São Paulo, ou Rio de Janeiro, por exemplo. É uma ilusão acreditar que seria possível, em um único texto, indicar um guia completo pela cidade. Assim, o que deixo aqui para você é um conjunto de possibilidades. Um ponto de partida. Como quem sobrevoa pela primeira vez um território vasto e sobrecarregado de possibilidades.

Vista aérea de Palermo

Antes, como já é nosso costume, vamos percorrer um pouco a história da Capital. Sempre entendemos que é importante saber a trajetória prévia dos lugares por onde caminhamos. Para que a visita não fique vazia de significados. Estão prontos? Então, boa viagem!

História

Escrever sobre as origens históricas de Palermo é como reproduzir uma síntese sobre a própria Sicília. Já dissemos o mesmo em diversos de nossos textos sobre a ilha, e em sua capital não poderia ser diferente. Da Antiguidade Oriental à Modernidade, a História da metrópole dialoga o tempo todo com o surgimento populacional da ilha como um todo.

A possível origem de Palermo está na ocupação dos povos Sicanos, às voltas do Período Paleolítico. De origem indo-europeia, o povo teria ocupado uma reduzida porção do litoral Noroeste da Sicília, fugindo de povos inimigos localizados na Península Itálica. Toda a historiografia sobre a origem da ocupação de Palermo é carregada de dúvidas e hipóteses, já que os vestígios escritos são inexistentes, e os matérias, exíguos. Mas a mostra mais importante sobre os Sicani está registrada na Grotta dell’Addaura, um complexo de três grutas localizado a Noroeste de Palermo. Por ali, foram encontradas gravações feitas diretamente na parede das rochas, com cenas que possivelmente indicam parte cerimonial do dia-a-dia dos Sicanos; registros imagéticos importantíssimos para a compreensão da Antiguidade Siciliana.

Detalhe de gravação na Grotta dell’Addaura

Do remoto Paleolítico à Antiguidade, pouquíssimo se sabe sobre a História da Cidade. O que nos leva ao século VIII a.C., com a ocupação dos Fenícios, que a nomearam de Zyz, A Flor. O período fenício, reconhecido povo antigo em sua potência comercial e marítima, teve constantes entraves ao pleno desenvolvimento da zona portuária de Palermo, devido às constantes invasões dos povos gregos que já ocupavam a Sicília, no contexto da formação do que conhecemos por Magna Grécia.

Porém, os gregos não conseguiriam ocupar a Cidade por muito tempo, logo sendo assolados pelas invasões Cartaginesas, a partir do século III a.C. Ao contrário do que ocorre em outros territórios sicilianos, o domínio árabe em Palermo não consegue impor marcas tão profundas, como faria, por exemplo, em Mazara del Vallo e Marsala. Isso porque, ainda no mesmo século, a Cidade seria invadida pelos romanos, no contexto da expansão geral ao longo da Sicília e durante a I Guerra Púnica, já no período imperial. Finamente, Palermo conheceria, apesar de submetidos à força romana, seu pleno desenvolvimento urbano e comercial. Os romanos construíram aqui longas estradas, banhos públicos, templos religiosos que até hoje marcam sua arquitetura e identidade.

Dica: Para conhecer melhor o contexto histórico e os principais pontos de visitação de Mazara del Vallo e Marsala, indico outro texto deste Blog: Pontos Estratégicos a Oeste da Sicília – Mazara del Vallo e Marsala.

Os três primeiros séculos medievais de Palermo, após a queda do Império Romano do Ocidente, são marcados por sucessivas invasões militares. Vândalos, Ostrogodos e Bizantinos se sucedem na ocupação do território. Todavia, é no século IX que a paisagem da Cidade é profundamente marcada, com a invasão dos Sarracenos, vindos do Norte da África. Após o cerco Sarraceno de 831, Palermo recebe a construção de inúmeras mesquitas, muda de nome para Bal’harm e se torna a capital sarracena na Península Itálica, formando um grande centro cultural de tradição árabe, comparado apenas à Cairo, no Egito, ou Córdoba, na Espanha. A Capital duraria até o século XI, quando tombaria diante às invasões normandas.

Ao longo da Baixa Idade Média e Idade Moderna, Palermo passa por diversas ocupações de origem europeia. Primeiramente, veio o domínio dos Normandos, seguido pelo Sacro Império Romano Germânico, que deu lugar aos franceses do Império Angevino e, finalmente, pelos espanhóis Aragoneses. Todo esse período é marcado, de início, pela substituição das mesquitas sarracenas por catedrais cristãs, como, por exemplo, a Igreja de San Giovanni degli Eremiti, a Cappella Palatina e o Oratorio di Santa Zita, todos do período do Sacro Império. É marcante, também, o intenso desenvolvimento econômico de Palermo ao longo do estabelecimento do Mercantilismo Moderno, tornando-a uma das mais prósperas cidades de toda a Europa. O cinquecento espanhol em Palermo marca também sua arquitetura, com a extrema beleza do Barroco espanhol em toda a sua plenitude. Até hoje se podem ver exemplos desta tradição, como na Chiesa del Gesù.

Pontos Turísticos

Todo o território de Palermo é marcado por essa longa duração histórica, da Idade Média à contemporaneidade. Tentar, como já mencionamos, esgotar em um roteiro toda essa diversidade, é tarefa impossível. Porém, separamos a seguir algumas localidades que não poderiam faltar em uma passagem prolongada pela capital siciliana.

Chiesa di San Giovanni degli Eremiti – mais um dos patrimônios da humanidade pela UNESCO, a Igreja de São João dos Eremitas pode ser considerado uma síntese importante de parte da história de Palermo. Tem suas origens no século VI, quando o primeiro local de culto foi estabelecido por São Gregório Magno. Passou por diversas alterações ao longo de sua trajetória, sendo parcialmente destruído no século IX, durante a invasão dos Sarracenos e a construção de uma mesquita. Foi restaurado ao longo dos séculos XI e XII, durante a ocupação dos Normandos, que ofereceram ao edifício cúpulas vermelhas, seguindo o padrão oriental que possivelmente compunha a construção original, tal e qual estabelecida pelos árabes. Definitivamente uma das composições arquitetônicas mais importantes da tradição árabe-normanda na Itália e passagem obrigatória em Palermo.

Chiesa di San Giovanni degli Eremiti

Palazzo Reale – atualmente conhecido como Palazzo dei Normanni, esta outra síntese da história de Palermo teve sua primeira edificação ainda no século IX, durante a ocupação sarracena. Mas foram, mais uma vez, os Normandos que transformaram a construção naquilo que a torna tão importante para Palermo até os dias atuais, e um dos pontos mais visitados por turistas na Cidade. Com o objetivo de demostrar o poder da nova monarquia, o Castelo é modificado, tornando-se uma estrutura em forma de torres, com sistemas de pórticos alternados com jardins. No século XII, com o Rei Ruggero II, a Capela Palatina foi adicionada ao Palácio, formando um amplo centro gravitacional ligado às outras estruturas arquitetônicas componentes do edifício.

Vista do Palazzo dei Normanni

Duomo – a Catedral de Palermo contém trajetória impossível de sintetizar. Sofreu modificações ou mesmo diferentes usos desde a fundação da torre de vigilância pelos Fenícios, no século VIII a.C.; até a sua última restauração, no século XIX, com a construção do Campanário, pelo arquiteto Emmanuele Palazzotto. Forma, até os dias atuais, uma das figuras paisagísticas mais marcantes da vista aérea da Cidade.

Vista do Duomo de Palermo

Chiesa del Gesù – a Igreja de Jesus tem projeto mais recente, se a comprarmos às edificações citadas anteriormente. O projeto jesuíta de construção de um local de culto próximo a sua sede em Palermo é do século XVI, mas foi apenas completado, após extensa alteração do original, no século XVII. É uma construção típica dos padrões jesuítas da época, sendo um dos maiores exemplos do barroco espanhol dentro de Palermo; principalmente se observarmos com atenção os relevos interiores feitos de mármore, assinados por Gioacchino Vitagliano.

Interior da Chiesa del Gesù

Chiesa di San Domenico – é a segunda maior igreja em Palermo, depois, claro, de sua Catedral. Sua construção é medieval, datada do século XIII, e de origem Sueva. Posteriormente alterada pelo Reino de Aragão, ao longo da ocupação espanhola no século XV; e mais uma vez pelos espanhóis ao longo do século XIX. É mais um dos belos exemplos do Barroco espanhol em Palermo, apesar do interior inspirado na disposição de colunas típica do Barroco Toscano. o interior é amplo, com oito colunas de cada lado, e composto de mármore de Billiemi.

Chiesa di San Domenico

Museo Archeologico – a obra arquitetônica foi originalmente construída para servir de residência aos padres da congregação de São Felipe Neri, ao longo da transição entre os séculos XVI e XVII, sendo transformado em Museu apenas no século XIX. O acervo é dedicado principalmente à Antiguidade, seja de Palermo, seja da Sicília de modo geral. Possui desde sarcófagos fenícios do século V a.C., até restos de relevos mitológicos encontrados nos templos de Selinunte. É um verdadeiro deleite para os apaixonados por história, preservando a memória material de milênios da grande trajetória humana na Itália. Outro aspecto bastante relevante durante a visita ao museu é observar seus componentes arquitetônicos, principalmente no setor que preserva a capela original da Casa, composta por teto de estuque, adornada de madeira, ouro e marfim.

Detalhe de artefato no Museo Archeologico

Oratorio del Rosario di Santa Cita – foi construído no século XVII, dedicado à Virgem do Rosário, em agradecimento por sua proteção e intervenção na Batalha de Lepanto, na qual uma confederação de cristãos barra o avanço do Império Otomano, em 1571. Os otomanos, considerados muçulmanos infiéis, foram derrotados em uma batalha naval, no litoral da Grécia, supostamente sob ação milagrosa da Santa. Seu altar principal foi modificado na transição entre os séculos XVIII e XIX, em estilo Neoclássico, em mármore, possuindo diversas obras de arte, como a belíssima pintura de Carlo Maratta, representando a Virgem do Rosário.

Detalhe do Oratorio del Rosario di Santa Cita

Galleria Palazzo Abatellis – uma verdadeira obra prima do estilo Gótico vindo da Catalunha durante o Renascimento italiano, construído no século XV, a Galleria é um ponto importantíssimo da Via Alloro, em Kalsa, bairro importantíssimo de Palermo. É uma testemunha de como poderiam viver os aristocratas sicilianos à época, tendo em vista sua grandiosidade e perfeição arquitetônica. Independentemente de seu acervo, o Palácio merece sempre uma visita por sua importância ímpar na história da arquitetura. Todavia, sua coleção de quatro andares pode ser desfrutada sem qualquer decepção. O térreo é dedicado à memória material não apenas de Palermo, como de toda a Sicília. Ali estão expostas esculturas, cerâmicas, afrescos e obras em madeira do século XIV ao XVII que manifestam a riqueza artística da Itália na Idade Moderna. No primeiro andar fica a Pinacoteca, com pinturas que representam uma documentação rigorosa e vasta da expressão artística siciliana até o século XVI. Grande parte das obras são originárias de doações feitas por igrejas e conventos espalhados por toda Palermo. O terceiro e quarto andares, a sala verde e a sala vermelha, representam também pinturas, mas advindas do Maneirismo Tardio italiano, assim como do século XVII e do Realismo. Conhecer toda a estrutura e exposição da Galleria requer tempo e dedicação, entretanto cada minuto é um deleite visual que marca a memória para sempre.

Galleria Palazzo Abatellis

Culinária típica – quando associamos comida de rua e turismo, imagino que logo venha à mente a diversidade de São Paulo, Nova Iorque, ou mesmo Chicago. Entretanto, Palermo é bastante diversa nesse quesito. Por aqui, encontrará todo um universo relacionado à gastronomia urbana de rua. Toda a variedade da culinária típica da Cidade pode ser encontrada na rua: sfincione (lembra uma pizza individual, muito saborosa e macia); panelle (uma espécie de sanduíche de baço de boi); arancino (lembra a nossa clássica coxinha, mas é um salgado de risoto frito, com recheio variado); croquete de batata; diversos tipos de fritura de peixe ou tripa de boi. Ainda é possível fazer parte do Palermo Street Food Walking Tour, um passeio à pé que passa pelos principais mercados de Palermo e as rotas mais relevantes da culinária de rua. Como sempre indicamos por aqui, consulte um bom agente de viagem para incluir em seu roteiro esse passeio especial, com guias especializados, que até fazem o roteiro em inglês.

Culinária típica: sfincione

EXPLORE AINDA MAIS A ITÁLIA COM ESTES PASSEIOS INCRÍVEIS


Dicas Cenci

Receba promoções e novidades antes de todo mundo!
Whatsapp
Precisa de ajuda? Atendimento por WhatsApp

Atendemos de segunda a sexta, das 09h00 às 18h00

Clique para iniciar o atendimento