Montecucco – Roteiro vinícola exclusivo na Toscana

Por Adrian Theodor

 

A Toscana é, sem sombra de dúvidas, uma de nossas regiões preferidas em todo o solo italiano. Já escrevemos inúmeras vezes sobre ela aqui, para o Blog da Cenci Turismo, sempre tentando destacar o que ela tem de mais refinado em sua potência culinária e vinícola. Já tratamos por aqui sobre sua Capital, Florência, além de indicar ao nosso leitor roteiros imperdíveis por Montalcino, Pienza, Arezzo, Grosseto, Sovana, Cortona ou Lucignano. Sempre com o mesmo objetivo de oferecer ao viajante experiências que não seriam possíveis nas viagens que costumam ser organizadas para a Toscana. Cuidamos muito para que nossos roteiros sejam exclusivos.

Dica: Como mencionamos anteriormente, já escrevemos diversos textos que apresentam cenários Toscanos de tirar o fôlego. Para quem aprecia roteiros incomuns, indicamos um de nossos textos: Arezzo: História Cinematográfica no Coração da Toscana. Em nosso Blog, todavia, poderá buscar por qualquer outra indicação na Região da Toscana. A seguir, destaque da Piazza Grande, no centro de Arezzo:

Neste sentido, trago no texto de hoje um trajeto bastante incomum, que não será encontrado em qualquer roteiro que visite a Toscana, mesmo os mais específicos e ditos exclusivos. Visitaremos uma região relativamente recente na produção de vinhos na Itália, empreendendo o Tour do Montecucco, ao sul da Toscana. Todo o processo produtivo por aqui é único, o que já oferece ao visitante um ar de exclusividade. É realmente um daqueles roteiros para quem aprecia conhecer uma região produtora antes dos demais. Ou então para quem aprecia vinhos de altíssima qualidade, e que, se não for em uma visita ao local, não terá oportunidade de conhecer seu sabor.

Na imagem abaixo, sinalização localizada no caminho para uma das vinícolas de Montecucco, próxima ao Monte Amiata, em Grosseto:

O território do Montecucco fica ao Sul da Toscana, próximo ao Monte Amiata e da Comuna de Grosseto. Por aqui, se produz principalmente o vinho originado da uva Sangiovese, tão comum no território italiano, de modo geral, e na Toscana, em particular. O próprio Brunello de Montalcino, um dos vinhos mais premiados em todo o mundo, tem origem desta cepa. Assim como o clássico Chianti. Entretanto, Montecucco se destaca por conseguir retirar desta uva tão comum em solo italiano um sabor inigualável em todo o território; com a vantagem de conseguir uma produção que possui valores muito mais competitivos do que seus vizinhos citados anteriormente. Os produtores deste vinho, de origem controlada e, portanto, exclusivo da região, conseguem associar uma uva comum às especificidades de seu solo, trazendo sabores e aromas inigualáveis, se comparados aos outros produzidos com a mesma fruta.

Na imagem a seguir, exemplo da uva Sangiovese, imprescindível para a confecção dos vinhos de Montecucco:

E a variedade da matéria prima influencia também as técnicas produtivas, que vão desde as produções industriais para exportação, até aquelas locais e familiares, tão características da Região. É possível encontrar produtores que investiram pequenas fortunas em seu negócio, com a contratação de arquitetos renomados para a construção de espaços multifuncionais que chegam a se destacar da paisagem bucólica característica da Toscana. Com processos de vinificação ultramodernos em espaços dedicados não só à produção, como à recepção de eventos e apresentações gastronômicas. Do outro lado da escala, é possível também encontrar os tradicionais pequenos produtores italianos, com uma produção feita à mão, uva a uva, engarrafando seu próprio vinho, em uma adega simples e sem pompa, extraindo da uva Sangiovese sabores inigualáveis.

Vinícola ColleMassari

No contexto desta produção de alto investimento, está a ColleMassari, por exemplo, das irmãs Maria Iris e Claudia Tipa, que já produziam com a Sangiovese em Montalcino, na fazenda Sotto. Em Montecucco, montaram uma verdadeira Boutique vinícola, com uma sala de apresentações e degustação que, devido à refinada organização espacial envidraçada do famoso arquiteto italiano Edoardo Milesi, permite amplo panorama em todas as quatro direções do salão para seu exterior, permitindo uma experiência visual que vai além daquela já oferecida ao paladar. Além do intenso cuidado estético, toda a produção em ColleMassari é bastante funcional, atualizando a produção vinícola para além das aparências, transformando a própria técnica. Por aqui, os mais de 80 hectares de terreno dedicados à produção de vinho são racionalmente organizados, levando as uvas aos centros de fermentação por um complexo, mas hábil, sistema de gravitação, evitando o uso de bombas, tornando a produção muito sustentável. Além disso, a fazenda usa apenas fermentação natural, evitando qualquer adição externa além do que é próprio da fruta, oferecendo às garrafas do l’Omrone, seu melhor vinho, por exemplo, sabor inigualável em toda a Itália e, assim, em todo o mundo. A única etapa da produção dos vinhos por aqui que ainda preserva a tradição artesanal é aquela que oferece aos tintos sua coloração marcante. Quando as uvas estão em processo de fermentação, em tonneaux abertos (grandes toneis de madeira), cada uva é perfurada a mão, liberando de sua casca o pigmento que oferecerá ao vinho sua marca distinta.

Na imagem a seguir, fotografia da parte externa da sala de degustação da fazenda ColleMassari, assinada pelo arquiteto italiano Edoardo Milesi:

Dica: No contexto da sua visita à fazenda ColleMassari, aproveite para passar pelo Castelo de Colle Massari, construído no século XIII, e restaurando a partir do XVII. Não é sempre que passamos por uma visita tão específica na Toscana, então recomendamos que aproveite cada oportunidade turística que pode aparecer no território. O Castelo foi edificado como, claro, um centro fortificado em Grosseto, mas chegou a ser convento e hoje é sede de uma grande fazenda agrícola.

Vinícola Azienda Agricola Marinelli

No sentido oposto ao do luxo e inovação de ColleMassari, está a Azienda Agricola Marinelli, ao Norte de Montecucco. Em primeiro lugar, chama a atenção pela enorme proximidade com sua vizinha Montalcino, famosa pela produção do mundialmente conhecido vinho Brunello. Daqui é possível, inclusive, avistar o Monte Amiata, a silhueta do Castelo Banfi, ou mesmo o Col d’Orcia, todos tão renomados produtores do tinto Brunello. Na verdade, o que separa esta fazenda vinícola de sua vizinha é justamente o rio Orcia.

Dica: Para conhecer mais sobre os locais que apresentamos no parágrafo anterior, indicamos que leia dois de nossos textos mais marcantes sobre a Toscana, como A Essência Toscana: Vinhos e Renascimento em Montalcino e Pienza e A Toscana Desconhecida.

Na Azienda Agricola Marinelli, toda a produção é manual, seguindo a tradição familiar da produção vinícola, tão respeitada em toda a Toscana. Em seus 7 hectares, terreno pequeno, se comparado ao das principais vinícolas toscanas, a vinícola é familiar e praticamente todo o processo, do plantio ao engarrafamento, é feito à mão. A fazenda começou a engarrafar seus vinhos em 2006, sendo bastante recente em relação não apenas a seus vizinhos, como em comparação com o restante da Região da Toscana. A prova dos vinhos por aqui é feita a céu aberto, em mesas rústicas, próximo da área de colheita; um verdadeiro contraste em relação ao que se vê nas luxuosas vinícolas desenhadas pelos maiores arquitetos do Velho País. Usam exclusivamente as uvas Sangiovese, com raríssimos buquês que misturam uma reduzidíssima dose Merlot, conservando originalidade. Devido a já mencionada proximidade com o Monte Amiata, alguns trechos de plantio da fazenda estão a mais de 350 metros acima do nível do mar, oferecendo ao vinho aqui produzido um leque mais elegante de sabor, porque os polifenóis que o caracterizam se desenvolvem por mais tempo, num tempo meteorológico que conta com grande amplitude térmica durante as 24 horas do dia, contrastando o calor da parte clara com o frio mais acentuado ao anoitecer. Isso sem contar a qualidade do solo, muito mais argiloso do que os vizinhos produtores do Brunello, que possuem um solo definitivamente mais rochoso e árido; o que oferece ao vinho daqui sabor diverso de todos os outros de Montecucco.

Na imagem seguinte, fachada externa da sede da Azienda Agricola Marinelli:

Este roteiro por Montecucco é essencial para aqueles turistas que apreciam não apenas a exclusividade de um roteiro vinícola na Itália, como também para quem prefere viagens por territórios ainda não explorados pelo turismo de massa. Quem visita a Toscana há mais tempo pode perceber o quanto este território já foi dominado em várias vertentes pela adaptação ao turismo internacional. O que, por um lado, é extremamente positivo, ao render à Toscana experiências incríveis que só podem ser apreendidas pelo contato com o diferente, o “outro”. Em contrapartida, é muito comum, entre os viajantes mais experientes, ouvir relatos de como algumas localidades toscanas foram se transformando ao longo do tempo, em um processo de adaptação turística que acabou por deturpar a essência da Região. Montecucco oferece novo fôlego neste sentido. É ainda um lugar pouco explorado na Península Itálica, possibilitando um olhar completamente fresco em relação àquilo que a Itália ainda pode oferecer de novo ao seu visitante ávido.

Todavia, como não poderia deixar de ser, aquilo que caracteriza a Toscana também está presente em Montecucco. É possível absorver toda uma síntese do que define a Toscana por aqui. Inclusive, se em sua vinda para as vinícolas conseguir encaixar passeios pelos arredores de Grosseto, por exemplo. Ou mesmo pelo Vale do Orcia. Já indicamos neste texto algumas possibilidades e sempre recomendamos que consiga mais indicações e pacotes turísticos com agências especializadas neste tipo de circuito enogastronômico.

Dica: no link a seguir, por exemplo, indicamos a você uma possibilidade de roteiro turístico pela Toscana que inclui visitas a Montecucco, oferecido pela Cenci Turismo, para quem escrevemos este Blog: Essências da Toscana.