Costa Azul – Costa da Ligúria Francesa na fronteira com a Itália

Por Adrian Theodor

Ainda na Costa do Mar da Ligúria, além das fronteiras Italianas, visitaremos hoje um dos destinos mais elegantes de toda a Europa, a Costa Azul, ou Côte d’Azur, na França. Apesar de não estar em território italiano, nosso foco aqui neste Blog, o destino é parada obrigatória para os viajantes que visitam a Costa da Ligúria.

A Costa Azul não possui uma extensão territorial oficial, mas é usual definir seus limites entre a fronteira com a Itália, entre Ventmiglia-Menton e a cidade de Toulon, a Oeste, já em território Francês. De toda essa vastidão costeira, escolhemos alguns pontos de visitação que consideramos essenciais para a sua viagem ficar completa.

Dica: Este roteiro conta com viagens de carro, então, no verão, devido à altíssima visitação da região pelo turismo internacional, é possível que encontre bastante trânsito nas rodovias principais entre os pontos de nosso roteiro. Aconselhamos um planejamento secundário de rotas caso visite a Costa Azul nesta época do ano. Por aqui, tenha sempre um “Plano B”, para não perder muito tempo no translado e aproveitar o máximo de sua estadia.

Nice

A cidade de Nice é local de veraneio europeu desde o século XIX, quando famílias abastadas do continente residiam temporariamente nesta charmosa localidade entre o Mar da Ligúria e as montanhas. Inicialmente ocupada por viajantes ingleses, Nice é desenvolvida desde o início de sua história como grande polo turístico, oferecendo bem preparada rede de infraestrutura até os dias atuais.

Por aqui, comece seu roteiro pela Promenade des Anglais, Passeio dos Ingleses, ou, na abreviação carinhosa dos franceses, La Prom. Mais do que uma rua principal, a Promenade é o verdadeiro ponto de encontro do turismo internacional no Sul da França. Criada tendo por base um projeto inglês no século XIX, La Prom é a marca registrada e cartão postal de Nice. É aqui que você experimentará sua maior vivência como turista em Nice. Conheça as espreguiçadeiras disponíveis em frente aos suntuosos hotéis; os palacetes da época dos ingleses; ou simplesmente tome um bom vinho francês observando o Mar da Ligúria. Sinceramente, não tem como errar.

Se aprecia construções arquitetônicas exuberantes, não deixe de visitar o Hotel Negresco, construído por Henri Negresco, no século XIX, e famosíssimo por sua cobertura de cúpulas rosadas e seus hóspedes ilustres. É importante também por sua trajetória histórica, pois, passou de hotel a hospital durante a Primeira Guerra Mundial e penou longa decadência, até que Jeanne Augier, em 1957, lutasse por sua revitalização. Hoje é considerado Monumento Histórico Nacional pelo governo francês.

Também no coração de Nice, passeie pelos diversos cafés e restaurantes da Place Massena. Construída em homenagem ao militar francês André Massena, o Marechal do Império, companheiro de Napoleão Bonaparte, a Praça é central em Nice, de onde se irradiam as demais ruas e avenidas. Ponto obrigatório não apenas por sua importância turística, mas por sua essencialidade geográfica, você terá mesmo que passar por aqui para conseguir circular pela cidade.

Dica: Visite também a Place Garibaldi, passando pela avenida Saint Jean Baptiste, se quiser conhecer a verdadeira Nice do dia a dia, afastada do circuito turístico, com seu comércio local, cotidiano e com preços mais em conta.  A praça foi construída em homenagem a Giuseppe Garibaldi, importante para a unificação da Itália, por exemplo, e pode ser visitada também por sua importância histórica.

A pé, por uma espécie de elevador ou de trem, não deixe de visitar a Colline du Chateau, ou Colina do Castelo, que, apesar de não ter mais castelo algum, proporciona uma vista do topo de Nice, permitindo que você observe seu trajeto por uma perspectiva completamente nova. Eu, particularmente, aprecio muito mudar a perspectiva da minha visão, quando viajo pela primeira vez a um território. Não apenas pela curiosidade geográfica, como também pela possibilidade de refletir, olhando o horizonte, sobre todo o significado que aquele roteiro teria na minha biografia. De qualquer forma, a Colina é imperdível.

Se conseguir um dia a mais em seu roteiro, o que aconselhamos insistentemente, visite também o aristocrático bairro de Cimiez, também localizado em uma Colina. Por aqui, você poderá conhecer o Museu Matisse, com diversas obras disponíveis do grande pintor. Também visite os jardins em homenagem a grandes músicos de jazz dos Estados Unidos; as ruínas de um anfiteatro romano do século III e o Monastère de Cimiez, datado de 1500, que oferece magnífica vista para o mar.

Dica: Recomendamos que percorra estes pontos principais de Nice em ao menos dois dias. Aproveite sua estadia e não tenha pressa.

Mônaco

De carro, partindo de Nice, trafegue pela M6098, beirando a Costa Azul, e aprecie a vista do Mar até chegar em Mônaco. São mais ou menos 21Km de pura beleza. Se estiver por aqui na alta temporada de julho e encontrar muito trânsito, opte pela interiorana A8. Ao chegar, deixe seu carro em um dos diversos estacionamentos do pequeno país. Vamos explorá-lo a pé.

Dica: Mônaco possui diversos elevadores gratuitos espalhados pelo país. Eles auxiliam muito os moradores e turistas a vencerem os desníveis e declividades característicos do local. Para quem não gosta de andar ou não tem tempo para isso, aconselhamos as diversas linhas de ônibus do país, que, ponto a ponto, acabam por atravessá-lo por inteiro.

Conhecidíssima dos amantes de automóveis por sediar uma das provas mais importantes do Grande Prêmio de Fórmula 1, tantas vezes vencida por Ayrton Senna, Mônaco, o segundo menor país do mundo depois do Vaticano, se assemelha muito a um clube privativo. Governado pela família Grimaldi desde a década de 20, o país é internacionalmente lembrado por abrigar celebridades e grandes empresários do mundo todo. Basta uma breve olhadela em sua marina recheada de imensos iates, para entender que a visita a Mônaco faz parte de um roteiro bastante exclusivo.

Sede de inúmeros roteiros de cinema, o principal ponto turístico do país é o Cassino de Monte Carlo. Surpreendentemente acessível somente aos turistas, o Cassino possui apenas uma pequena área aberta gratuitamente ao público. Esta paetê do roteiro foi, para mim, uma visita-síntese de Mônaco. Símbolo de sua exclusividade e ostentação. Representação máxima do funcionamento desigual do mundo globalizado. Divagações a parte, a visita ao Monte Carlo vale também por sua arquitetura no estilo Belas Artes de Charles Garnier, o mesmo da casa de ópera de Mônaco ou de Paris.

Aos que, como eu, amam história, recomendo que visitem a região de Monaco Ville, também conhecida por Le Rocher, ou A Rocha. É aqui que se concentram as maiores atrações históricas do país, como o palácio dos Grimaldi, construído no topo da rocha. É o bairro mais antigo de Mônaco e retoma sua história desde as ocupações asiáticas da Antiguidade. Foi apenas na Idade Média, no século XIII, que François Grimaldi, disfarçado de monge franciscano, tomaria a cidade para si, marcando para sempre a história de Mônaco.

A 1 Km do Palácio, você poderá visitar o Jardin Exotique que, apesar de ser um entre os diversos jardins em Mônaco, reserva uma coleção de plantas raras provindas de diversas partes do mundo. Destacamos, dentro do jardim, a presença de uma gruta aberta à visitação guiada, com elevação de mais de cinco andares.

Além da visita imperdível ao Palácio e ao jardim, por aqui, veja também a Princes Car Collection, com vasta coleção de automóveis, carros de corrida e carruagens. E não deixe de conhecer, claro, o famoso Museu Oceanográfico de Jacques Cousteau, um dos maiores oceanógrafos do mundo.

Antibes

Seguindo a via interiorana e passando por Nice, pegue de volta a A8 com sentido a Antibes. A exemplo do que costumamos tratar sobre a Itália, também aqui no litoral francês do Mediterrâneo há um transbordamento de aulas de história ao ar livre. Ocupada desde a Antiguidade por povos romanos, Antibes sempre foi ponto estratégico importante como posto avançado ao mar. História esta que avançou pela Modernidade, até o século XVIII, com a construção, por exemplo, do Fort Carré, pelo engenheiro militar de Luis XIV, Vauban. Esta visita, claro, é obrigatória para quem bem a Antibes.

Antibes 01

A preocupação de Antibes com a preservação histórica se nota também com o cuidado dedicado ao seu centro histórico. Toda a área entre a Cours Massena e o mar é proibida para automóveis e o visitante pode, à vontade, circular por entre suas ruelas, casas e becos como se ainda vivesse no início da Modernidade. Vale aqui, inclusive, se encontrar na região ou conseguir agendar com antecedência, uma visita guiada. Mas, como fizemos, o importante é caminhar com espírito de descoberta. Perca-se, como repetimos sempre em nosso lema.

Da história à Arte e à Religião, não deixe de visitar o Museu Picasso, localizado no antigo estúdio do famoso artista, que trabalhou por seis meses intensamente produtivos dentro do Château Grimaldi em Antibes, em 1946. Próximo ao museu, visite também a Cathédrale Notre Dame de l’Immaculée Conception, concebida no século XIII e intensamente transformada desde então. Intriga em especial os visitantes o fato de que sua fachada, em cor rosa, semelhante às construções italianas da mesma época, é muito diversa de suas laterais e fundos, com direção ao mar. Quem olha a fachada e as laterais tem a certeza de que se tratam de construções diferentes.

Finalmente, descanse os pés em Juan-les-Pins, a sudoeste, a cidade mais boêmia de toda Antibes. Ali, não apenas os bares e restaurantes são premiadíssimos, como a vida noturna fervilha, principalmente no verão, com eventos e encontros entre cidadãos do mundo inteiro. Uma noite estrelada em Juan-les-Pins, regada pelo vinho branco do Sul da França, com vista para o Mar da Ligúria ficará impressa em sua memória (e em suas belíssimas fotos) para sempre!

Cannes

Aconselhamos que vá para Cannes de Antibes em horários que fujam do trânsito, principalmente no verão, mais ainda se for a época do famosíssimo festival de cinema. As duas cidades estão muito próximas uma da outra, porém, a acessibilidade de carro se torna impossível nos períodos de maior fluxo. Inclusive, eu planejaria meu roteiro pela Costa Francesa da Ligúria com base no Festival de Cannes. Geralmente em maio, o festival transforma a já badalada Cannes em um frenético vai e vem de pessoas do mundo todo, inclusive celebridades. E você, ao vir para cá, precisa decidir se está em seus planos fazer parte de toda esta comoção. Se, por um lado, é interessantíssimo ver a cidade vibrar com o cinema e seus produtores e intérpretes, é um ponto negativo se sua intenção é apenas apreciar a cidade em si, porque ela estará superlotada, sobrecarregada de trânsito e com reservas em hotéis e restaurante completamente esgotadas.

Sugerimos que explore Cannes escolhendo entre duas possibilidades. Ou você a desbrava com o carro que alugou, ou consegue lugar no trem turístico que circunda toda a cidade, o Petit Train Touristique. São várias opções de passeio, tais como: o History Tour, circulando os principais pontos históricos da cidade; o Le Croisette, abrangendo a via litorânea principal e os hotéis mais luxuosos de Cannes, com “dicas” sobre as celebridades que já estiveram por ali; e o Big Tour, que, com aproximadamente uma hora de duração, agrega o History Tour e o Le Croisette. O Big Tour, inclusive, sobe o Le Suquet, um morro na parte mais antiga de Cannes, que dá vista para boa parte da cidade. Lá no alto, tente também visitar a igreja Notre-Dame de l’espérance.

Obviamente, estando ou não em Cannes no mês de maio, não deixe de ver o Palais des Festivals, que abriga o respeitadíssimo Festival de Cannes desde 1946. Consulte sempre com antecedência datas e horários de visitação. Talvez seja ele o ponto mais marcante da identidade contemporânea da cidade.

Todo este roteiro em Cannes pode ser feito em algumas horas do seu dia. Tente reservar a parte da tarde para passeios pelas ilhas próximas a Cannes, as Îles de Lérins. São quatro ilhas que podem ser visitadas de barco em um intervalo de translado de mais ou menos 15 minutos saindo de Cannes. A maior delas, a Île de Sainte Marguerite, ficou famosa por abrigar a prisão do “Homem da Máscara de Ferro”, malfeitor misterioso do século XVII, imortalizado na literatura de Voltaire e Alexandre Dumas; além de inúmeras representações no cinema.

Dica: se você tiver à disposição pelo menos mais dois dias para a Costa Francesa da Ligúria, viaje quase 90Km até Saint-Tropez. A Península é disputadíssima no verão por visitantes franceses e turistas do mundo todo. Terá na memória praias incríveis, hotéis luxuosos, uma vida noturna intensa e, claro, diversas experiências para compartilhar na volta. Mas lembre-se de que muito provavelmente você voltará ao Brasil do aeroporto de Nice, a mais de 100Km de Saint-Tropez. Então, planeja seu trajeto e boa viagem!