Coronavírus, informações importantes

Dicas Cenci - 26/02/2020

Por Giacomo Cenci

Devido à atual situação da Itália com relação à propagação do COVID-19 (mais conhecido como Coronavírus) e às notícias que estão veiculando na mídia e redes sociais (algumas equivocadas), disponibilizamos abaixo informações importantes e esclarecedoras.

Trabalhamos exclusivamente com a organização de viagens à Itália, portanto é fundamental adotarmos uma atitude objetiva e responsável, tanto para resguardar os viajantes, quanto todos os profissionais envolvidos na realização de uma atividade turística.

As informações abaixo são baseadas somente em fontes oficiais: Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde italiano, European Centre for Disease Prevention and Control, diretores de Hospitais e virologistas, etc.

O que é o novo COVID-19?

É uma nova estirpe de Coronavírus que foi identificada em Wuhan, China, em dezembro 2019.

Como o vírus é transmitido?

O vírus é transmitido por meio de:

  • saliva, tosse e espirros;
  • pelo contato das mãos que tocaram superfícies contaminadas pelo vírus com as mucosas (olhos, nariz, boca).

Quais são os sintomas de uma pessoa infectada com COVID-19?

Os sintomas mais comuns incluem febre, resfriado, tosse, dificuldade para respirar. Em casos graves, a infecção pode causar pneumonia e síndrome respiratória aguda grave.

Quanto tempo dura o período de incubação?

O período de incubação – ou seja, o tempo que passa entre a infecção e o desenvolvimento dos sintomas clínicos – varia entre 2 e 11 dias, até um máximo de 14 dias.

Existe um tratamento para o novo Coronavírus?

Não existe um tratamento específico para a doença causada pelo novo Coronavírus. O tratamento deve ser baseado nos sintomas do paciente. Os cuidados de suporte podem ser muito eficazes. Terapias específicas estão sendo estudadas.

Qual dispositivo de controle foi introduzido na Itália para este vírus?

Na Itália foi implementada uma vigilância específica para o Coronavirus a nível nacional. A situação é constantemente acompanhada pelo Ministério da Saúde, que está em contato permanente com a OMS, o ECDC e a Comissão Europeia, e publica prontamente todas as atualizações no Portal ww.salute.gov.it/nuovocoronavirus.

Quantos casos de infecção existem até o momento na Itália?

Às 00:00 de 26/02 constam 322 pessoas infectadas com o novo Coronavírus na Itália. Destas, onze, que apresentavam um quadro clínico extremamente complicado antecedente ao contágio, vieram a falecer. São casos em que o vírus foi uma das causas da morte (assim como poderia sê-lo uma gripe comum), ou seja, agravou situações já muito comprometidas.  Ninguém, até agora, morreu por causa do Coronavírus. Em 80% dos casos os sintomas são leves ou levíssimos, ou até não aparecem.

Vale mencionar a declaração que o renomado virologista Walter Ricciardi, da Organização Mundial da Saúde, fez em 25/02/2020:

É correto não subestimar, mas a doença tem que ser contextualizada com base nos números oficiais: de 100 pessoas infectadas, 80% saram espontaneamente, 15% tem problemas sérios, mas curáveis em ambiente sanitário, 5% é grave, devido a doenças pré-existentes.

O índice de mortalidade do vírus (as pessoas apresentavam um quadro clínico comprometido antecedente ao contágio) no mundo estima-se que seja em torno de 2%; na Itália, com relação aos casos potenciais de contágio (ou seja, considerando as pessoas que, com bases nas projeções estatísticas, foram contagiadas e já sararam), estima-se que o índice de mortalidade seja de cerca de 0,1%. Esses dados podem ser verificados no site do Ministério da Saúde italiano.

Na mesma linha se enquadra a declaração de Maria Rita Gismondo, diretora responsável pela Departamento de Microbiologia Clínica e Virologia do Hospital Sacco de Milão (onde COVID-19 é estudado e tratado):

O Covid-19 é uma infecção ligeiramente mais grave do que uma gripe, não é uma pandemia letal.

Maria Rita Gismondo alerta sobre o fato de que, se fossem feitos testes específicos em toda a população europeia, apareceriam milhares de infectados, ou que significa que muitas pessoas são infectadas, mas não adoecem, ou saram dentro de poucos dias curando-se em casa.

A mesma ideia é sustentada pela virologista Ilaria Capua, que declarou o seguinte (25/02/2020):

A infecção provavelmente existe desde meados de janeiro e é possível que muitas pessoas tenham sido infectadas sem sintomas, ou que tenham tratado a doença como uma gripe, ou que tenham procurado o médico que a tratou como uma gripe.

A gripe “normal” (com sintomas semelhantes ao Covid-19) na sétima semana de 2020 afetou 656.000 pessoas (dados FluNews-Itália, Influnet), centenas de milhares a mais do que os da COVID19.

Existem outros casos na Europa? E por que há muito mais na Itália?

Também no resto da Europa existem casos de infecção por COVID-19. O aumento da incidência de infecções na Itália deve-se a um sistema diferente de controle e gestão do contágio. Ao contrário de outros países europeus (em que a idade média da população é muito inferior à de Itália e, por conseguinte, menos vulnerável), na Itália os organismos de saúde pública estão “à procura” do vírus antes que o mesmo se manifeste na população, obrigando os cidadãos residentes nas áreas hoje consideradas em risco a realizar os testes específicos. Tudo isto não foi feito no resto da Europa. A própria virologista Ilaria Capua afirmou:

Estou convencida de que vários países europeus têm casos de Coronavírus que serão diagnosticados nos próximos dias. Este aspecto também será esclarecido nas próximas semanas, bem como a extensão efetiva da infecção na Itália. Talvez, mais banalmente, nós tenhamos diagnosticado mais e mais cedo”.

Segundo os dados oficiais, por exemplo, na Itália foram executados 6.800 testes, na França apenas 300.

Assim como é altamente provável que o vírus já esteja circulando faz tempo na América Latina e em outras áreas do planeta, mas com sintomas tão leves, ou até sem sintomas, de maneira que não foram efetuados os testes específicos.

Onde estão localizados os casos de contágio na Itália?

Na Itália foram identificados dois focos de contágio, no Norte: no município de Codogno, na província de Lodi, e no município de Vo Euganeo, na região Veneto. Existem regiões com um número considerável de contágios e há outras em que se tem poucos casos isolados.

Quais medidas o Governo italiano tem adotado?

O Governo mapeou duas “Zonas Vermelhas”, que correspondem aos locais onde estão os focos do contágio, que foram completamente isoladas e postas em quarentena. É somente nessas áreas que é proibida a entrada e a saída de pessoas e o exército está atuando para garantir que isso aconteça da forma mais rigorosa possível.

Foram identificadas também algumas “Zonas amarelas”, que correspondem aos lugares onde há pessoas contagiadas. Nessas localidades, como medida de precaução, foram suspensas – em alguns lugares até 01/03/2020, em outros até 05/03/2020 – as atividades nas escolas e nas universidades, assim como eventos (concertos, shows, jogos, comícios, etc.) que envolvam a agregação de um número considerável de pessoas num mesmo espaço. Em algumas localidades também foram temporariamente fechados os locais de culto (como o Duomo de Milão e a Basílica de São Marcos) e os cinemas.

Se trata de medidas drásticas que o Governo italiano quis adotar para conter ao máximo a propagação de um vírus que, embora seja pouco mais alarmante de uma gripe, correria o risco de sobrecarregar o sistema de saúde público, até porque muitas pessoas recorrem aos Prontos Socorros sem necessidade. E, claramente, para proteger as pessoas mais vulneráveis, ou seja, aquelas que apresentam um quadro clínico comprometido.

É justamente nessas aéreas que, por conta de um pânico injustificado que tomou conta da população, gerado também por uma má informação, assistimos aos episódios – como “assaltos” a mercados, utilização desnecessária da máscara de proteção, comportamentos discriminatórios para com residentes chineses, etc. – que se revelam muito mais danosos do que o próprio vírus.

O Governo lançou vários apelos para que seja mantida a calma, frisando que as medidas que foram adotadas são de precaução e que não há motivo algum que justifique essas condutas.

É muito provável que, a partir da segunda semana de março, em muitas localidades das Zonas Amarelas as medidas sejam retiradas e a vida volte ao normal, talvez com algumas restrições.

No resto da Itália tudo continua normal.

Existem restrições no tráfego aéreo, automobilístico e ferroviário atualmente na Itália?

Não há qualquer tipo de restrição à circulação no País, exceto para as áreas em quarentena. Todas as notícias contrárias são sem fundamentos. É possível chegar regularmente, por exemplo, a Veneza, Milão, Roma, sem empecilho algum.

Quais são os cuidados preciso ter ao viajar para a Itália?

É oportuno tomar as precauções necessárias em matéria de higiene sanitária como para viajar para qualquer outro destino, ainda mais levando-se em conta que estamos no inverno:

  • lavar sempre as mãos. É muito importante higienizar as mãos de forma completa e cuidadosa e chegando até a região do punho;
  • usar álcool em gel como complemento para a higiene das mãos;
  • evitar ao máximo tocar olhos e mucosas, essa atenção pode fazer muita diferença em relação ao risco;
  • cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;
  • manter uma certa distância das pessoas que tossem ou espirram;
  • evitar o contato com pessoas com febre, etc.;
  • a Organização Mundial da Saúde recomenda o uso de máscara somente se você suspeitar que contraiu o novo Coronavírus e tiver sintomas como tosse ou espirro ou se estiver cuidando de uma pessoa com suspeita de nova infecção por Coronavírus (recente viagem à China e sintomas respiratórios) . O uso da máscara ajuda a limitar a propagação do vírus, mas deve ser adotado além de outras medidas de higiene respiratória e das mãos.

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