As Ilhas Eólias e a imponente natureza siciliana

Pontos Turísticos - 21/05/2018
Por Adrian Theodor

Há alguns meses convidei você a participar de uma longa jornada ao redor de uma das ilhas mais incríveis de todo o mundo, a Sicília. A partir de uma introdução poética da Ilha, onde absorvemos suas principais características e possibilidades de reflexão, iniciamos um périplo que começou em Messina e termina hoje, com uma visita especial às Ilhas Eólias. Nosso longo percurso foi extremamente gratificante, e todos os textos sobre o assunto podem ser encontrados em nosso Blog.

Monumento Madonna della Lettera, em Messina

Dica: Caso queira entrar em contato com o nosso primeiro texto sobre o tema, leia: Uma Introdução Poética à Sicília. Por aqui, poderá ler um pouco sobre nossa experiência com a história da Sicília, além de nossa vivência com sua identidade cultural e contato com a população local.

Diferentemente de nossa abordagem usual, na qual trabalhamos detalhadamente com a história dos destinos turísticos visitados, o texto de hoje, sobre as Ilhas Eólias, oferecerá uma série de impressões acerca da geografia siciliana, além de observações estéticas sobre sua exuberante natureza. Espero que nosso breve texto possa convidar você a experimentar um pouco mais deste lugar incrível ao Sul da Itália. A Sicília, de modo geral, e as Ilhas Eólias, em particular, estimularam as nossas memórias mais marcantes, seja como viajantes ou como indivíduos. A Sicília sintetizou, em várias de nossas experiências, a origem da própria humanidade, nos fazendo pensar sobre nosso lugar no mundo. E é esta reflexão profunda, porém leve, que também recomendamos a você quando pisar sobre o solo vulcânico da maior ilha italiana.

Ilhas Eólias

O arquipélago que é composto pelas Ilhas Eólias fica ao norte da Sicília, pertencendo à Província de Messina. Ao todo, são sete ilhas, todas de origem de derramamentos basálticos, ou seja, vulcânicos. Em relação ao posicionamento geográfico, elas formam uma espécie de Y aberto no topo e são elas: Lipari, Salina, Vulcano, Stromboli, Filicudi, Alicudi e Panarea.

Vista aérea das Ilhas Eólias

O destino é ainda um tanto quando desconhecido no Brasil, o que oferece ao viajante uma visita com ares de exclusividade. Todavia, é um roteiro cada vez mais utilizado por viajantes do mundo todo, o que permite contatos incríveis. A estrutura disponível pelas ilhas é também bastante receptiva ao turismo, dado o recente aumento da procura, já que o arquipélago tem recebido mais de 200 mil visitantes por ano. Sempre lembramos da importância em se contatar uma agência de viagens experiente para a melhor fruição possível dos destinos italianos, mas recomendamos que organize sua vinda às Eólias no verão europeu, ou entre junho e setembro. A maior parte da estrutura hoteleira e gastronômica das ilhas fecha no outono e no inverno. Com exceção, talvez, de Lipari, o centro administrativo das Ilhas Eólias, que acaba por receber viajantes o ano todo.

Como já dissemos, nosso objetivo no presente texto é apresentar de forma mais ágil os principais destinos turísticos das Ilhas Eólias, deixando um pouco de lado sua trajetória histórica, tão presentes em todas as nossas apresentações sobre a Sicília. Assim, a seguir, deixamos a você algumas impressões úteis sobre este arquipélago único em toda a Itália:

Ilha de Vulcano

Muito provavelmente, quando se tem no Brasil informações turísticas sobre algum vulcão siciliano, trata-se do incrível e marcante Etna. É mesmo o mais famoso da Sicília, e um dos mais reconhecidos no mundo todo. Marca a paisagem e a identidade siciliana, inclusive; principalmente em Catânia, onde o Etna ganha traços arquitetônicos, misturando seu pó ao Barroco do centro histórico. Entretanto, na Ilha Vulcano também é possível se conhecer um vulcão ativo siciliano. E talvez seja este o principal atrativo de sua visita pela ilha.

Dica: Tratamos sobre Catânia e sua identidade vulcânica no seguinte texto, que pode ser acessado em nosso Blog: Catania e Siracusa – Atividade vulcânica e mitologia grega ao leste da Sicília.

Para se atingir a grande cratera do Vulcano Vecchio (Vulcão Velho), o principal de uma complexa formação geológica vulcânica, será necessário passar por uma trilha aberta de mais ou menos 900 metros de altitude. A distância da caminhada não é longa, mas pode ser um tanto quanto desafiadora para quem não está acostumado com o trajeto. Isso porque ao mesmo tempo em que se torna cada vez mais íngreme conforme se chega ao topo, tem parte do terreno formada por um solo intensamente pedregoso, com rochas bastante pequenas e quase movediças, o que pode dificultar o acesso para os não habituados. Importante também ressaltar a dificuldade proveniente da intensa e sempre presente sensação de falta de ar proporcionada pela inalação do enxofre. Quanto mais perto do topo, maior seu ímpeto. Recomenda-se que proteja os olhos e o nariz. Bons óculos escuros e um pano molhado são bastante úteis nesta travessia.

Vista aérea do Vulcano Vecchio

Aproveite as possíveis dificuldades como oportunidades para parar um pouco a cada novo fôlego. Aprecie a vista a cada novo passo. Não se demore. Distancie os olhos o máximo que puder, observando o gigantesco mar em volta da Ilha Vulcano, em sua imensidão azul. Há quem aprecie fazer a visita próximo do pôr do sol, para registrar fotograficamente a especial golden hour (hora dourada), aqueles minutos anteriores ao esconderijo solar para dar lugar à noite e ao mar sem fim.

Ilha de Panarea

Esta ilha, a menor do arquipélago eólio, é ideal para aqueles que gostam de exclusividade. Apesar de sua extensão territorial e de seus não mais do que 300 habitantes, a ilha oferece roteiros que não podem ser apreciados pela maioria, por possuírem alto custo. Uma diária em seu hotel mais famoso, o Hotel Raya, pode custar mais de 700 euros, e já recebeu celebridades como Mike Tyson ou Naomi Campbell. O mesmo acontece com suas casas noturnas e restaurantes refinados.

Vista da Ilha de Panarea

Por outro lado, é possível sim aproveitar a ilha de forma mais discreta, o que costumo preferir. Sugiro que percorra, por exemplo, a ilha de ponta a ponta, numa extensão de menos de 3 quilômetros, de manhãzinha, quando grande parte do turismo de elite ainda repousa após a longa noite dançante. O ambiente fica mais vazio e é possível apreciar de verdade a beleza natural disponível em Panarea.

Neste percurso, poderá passar por Cala Junco, uma grande piscina natural no interior da ilha. Para acessar a piscina, será necessário caminhar um pouco mais de meia hora, seguindo as placas e instruções locais. Vale especialmente a pena, pois a coloração verde esmeralda misturada ao azul é imperdível, principalmente sob a luz do sol do verão. Se estiver fazendo este roteiro com um guia, ou em grupo, certifique-se de ter tempo disponível para um mergulho. Parar um tempo por aqui é o ideal para relaxar e esquecer um pouco do que deixou para trás, seja lá qual for o seu local de origem. Indicamos, sempre, claro, que consulte uma agência especializada em roteiros pela Sicília, já que não se trata de destino comum aqui no Brasil.

Vista aérea das Ilhas Eólias

Aproveite sua estadia por aqui também para passear de barco ao redor da ilha. No centro histórico é possível encontrar diversos navegantes disponíveis para este trajeto em específico. Mais uma vez, o ideal é conseguir planejar com antecedência, com uma agência de confiança. Os passeios de barco são uma saída importante para um giro pela ilha, já que podem te levar a lugares incríveis, inacessíveis a pé. Em especial, conheça os rochedos de Basiluzzo, Dattilo e Lisca Branca, todos bem próximos à Panarea.

Ilha de Salina

No sentido oposto à Panarea, Salina oferece mais tranquilidade e descanso. Inexiste por aqui aquela intensidade da vida noturna própria dos grandes centros. O ideal, por aqui, é distender o pensamento, é apreciar a natureza e os costumes locais.

Primeiro, encontre logo uma oportunidade para provar o vinho típico da região, o Malvasia. Este especialíssimo vinho de sobremesa é o principal produto comercial do arquipélago, um dos mais antigos da Sicília e de origem grega, datada do século VI a.C. A uva passa do Malvasia é tratada por um processo especial de ressecamento, sob o sol da Sicília, até que atinja a qualidade necessária para a produção da bebida. É possível, inclusive, visitar algumas vinícolas espalhadas pela ilha, em sua maioria composta de pequenas propriedades familiares.

Ilha de Salina

Todos que já assistiram ao O Carteiro e o Poeta se encantam com a visita a Pollara, em Salina. Foi por aqui que o filme foi gravado, e é parada obrigatória para quem vem à ilha. Além de ser possível avistar a parte externa da casa rosada do Pablo Neruda, Pollara apresenta uma vista incrível dos arredores da ilha e sua imensidão de mar azul. As fotografias do nascer ou pôr do sol são sempre magníficas, mesmo para os amadores. Isso sem contar a visão panorâmica dos desfiladeiros, tão presentes na geografia do filme de Michael Radford e Massimo Troisi.

Vista aérea da Ilha de Salinas

E, claro, não deixe de visitar as praias de Salina. Em especial, recomendamos que passe ao menos um dia em Punta Scario, ao Norte. É impressionante perceber quantos tons diferentes de azul são possíveis ao redor da Sicília, e o azul turquesa de Punta Scario é imperdível, até para aqueles que não dominam lá tanto assim as escalas de cores disponíveis aos olhos humanos. Mas, fica aqui o aviso, o litoral de Salina é aquele tipicamente siciliano, com pedras pequenas ao invés de areia. Nem sempre o turista brasileiro se sente confortável com isso, mas é uma questão de se acostumar, pode levar um tempinho, mas o azul do mar compensa tudo.

Lipari

Como já dissemos, Lipari é a ilha do arquipélago que mais recebe o turismo internacional, estando disponível em sua estrutura hoteleira e gastronômica o ano todo, não apenas no verão. Isso porque é a maior das Ilhas Eólias, dividida em cinco distritos diferentes, possuindo também o maior número de habitantes, mais de 12 mil.

São inúmeras as opções de roteiro por aqui, mas o que mais me chamou a atenção é a característica de seu relevo, com inúmeros planaltos, possibilitando uma visão panorâmica de seus arredores de praticamente qualquer ponto elevado, formando verdadeiros mirantes naturais dedicados à visão do horizonte. Aprecio muito lugares assim, onde sempre parece possível olhar para o infinito, e refletir sobre nosso lugar no mundo, e me maravilhar com as imposições magníficas que somente a natureza pode proporcionar.

Para aqueles que apreciam a história e as origens dos locais por onde passam, duas paradas obrigatórias são o Castelo de Lipari e seu Museu Arqueológico. A atual construção do castelo data do século XVI, mesmo período em que se construiu no local a grande muralha que visava proteger a população local da ação de piratas, muito comuns por aqui neste período de dominação espanhola. Entretanto, escavações arqueológicas demonstram que a ocupação da ilha pode ser datada do período Neolítico, demonstrando a complexidade da formação populacional da região, numa síntese que na verdade recobre toda a Sicília, como vários de nossos textos já demonstraram. Parte significativa desta trajetória pode ser observada no Museu Arqueológico, um dos mais relevantes – seja em sua atividade de pesquisa, seja em seu acervo museológico – de todo o Mediterrâneo.

Vista do Castelo de Lipari

Já, no que se refere ao litoral, recomendamos que visite a Spiaggia Bianca (Praia Branca), a mais famosa da ilha. Para além do imenso azul turquesa de suas águas, ela é importante por revelar uma das principais características da paisagem de Lipari, a pedra-pomes. O recurso mineral chegou a ser o principal elemento de exportação e base da economia da ilha, mas sua extração foi proibida em 2005, por questões ligadas à proteção ambiental. De qualquer forma, um passeio pelos montes do minério é bastante divertido, além de proporcionar oportunidade de levar pedrinhas de volta para casa.

Vista da Spiaggia Bianca

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